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Doria corta professores substitutos com “promessa” de contratação de concursados

O argumento de Dória é de que será feita uma "realocação" dos professores, saindo de suas escolas de origem. A medida atinge principalmente escolas de ensino infantil e de alfabetização.

Bruno Portela

São Paulo

quinta-feira 28 de setembro| Edição do dia

O prefeito do município de São Paulo, João Dória (PSDB), decidiu reduzir o número de professores substitutos (professores que substituem os professores titulares em suas ausências e/ou exercem outras funções pedagógicas nas escolas municipais, chamados também de módulo) através da portaria 7.663 do dia 23 de setembro. O argumento utilizado para defender a medida é a de que não haverá demissão e sim uma realocação desses trabalhadores, tirando-os de suas escolas de origem onde os professores já acompanham o projeto pedagógico, além da promessa de contratar 9.000 professores aprovados em concurso.

A medida de Dória foi criticada por professores da rede municipal e seus sindicatos, que exigiram uma reunião de emergência com o Secretário Municipal de Educação, Alexandre Schneider, nessa quarta-feira (27). Os protestos são devido ao fato de que esse corte implicará em mais precarização do ensino para os estudantes (sofrerão com a falta de professores e acabarão sendo transferidos, superlotando ainda mais as turmas) e mais precarização do trabalho para professores, porque serão realocados em outros lugares, muitas vezes distantes e, com o aumento da superlotação das salas, os professores titulares, substitutos e excedentes estarão ainda mais expostos à problemas de saúde e doenças ocupacionais, infelizmente tão comuns nessa categoria.

Atualmente a demanda já é maior que o número de professores trabalhando dessa forma, um corte significa aprofundar esse problema e ainda ampliar a precarização de conjunto da educação municipal, além de não levar em consideração o trabalho já exercido por esse profissionais, os projetos pedagógicos já desenvolvidos e as relações já estabelecidas em suas comunidades escolares.

A medida atinge principalmente as escolas de ensino infantil e da fase de alfabetização, quando a atenção com às crianças deveria ser redobrada, com pelo menos dois professores em sala de aula. Hoje a situação dos professores alfabetizadores é calamitosa, com salas lotadas e com pouco material pedagógico para auxiliar na aprendizagem.

Essa medida segue a mesma linha da gestão Dória quando, em Maio, decidiu fechar brinquedotecas e salas de leitura para atender ao déficit de salas de aula para crianças de 4 e 5 anos, não levando em consideração a importância desses espaços no aprendizado dos alunos e aumentando a precarização do ensino oferecido pela expansão sem qualidade e investimento.

Na reunião de ontem, o secretário, pressionado pelas críticas (principalmente sobre a falta de diálogo com a categoria) voltou atrás e disse que a medida será mais amena que a publicada anteriormente. Essa nova medida deverá ser publicada hoje, no entanto, por parte do secretário e da prefeitura existem apenas "promessas" de contratação de professores concursados, mas nenhum avanço concreto realizado.




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