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BOLSODORIA

Dória copia Bolsonaro com general na segurança pública conduzindo a matança

General da reserva assumirá a secretaria de segurança pública de SP em 2019 e será o primeiro militar no posto desde a ditadura militar.

terça-feira 13 de novembro| Edição do dia

Imitando Bolsonaro, Dória indica um general para cuidar da segurança pública

O governador eleito João Dória anunciou nessa terça, 13, que secretario de segurança de São Paulo a partir de 2019 será o general da reserva João Camilo Pires de Campos, seguindo a tendência estabelecida pelo presidente eleito Jair Bolsonaro de promover o retorno dos militares a política, colocando as forças armadas em cargos estratégicos do país.

Tentando pegar carona na popularidade de Bolsonaro para surfar a onda conservadora, Dória quebra uma tradição de décadas no estado de São Paulo de colocar um civil na chefia da segurança pública, similar ao que Bolsonaro fez hoje ao colocar um militar para chefiar o ministério da Defesa.

Em SP, a última vez que um militar ocupou o cargo de secretário de segurança pública foi entre 1974 e 1979, com o sanguinário coronel Erasmo Dias, tristemente célebre pelo apoio que deu aos esquadrões da morte que surgiram no final da ditadura e aterrorizaram as periferias de São Paulo nos anos 70 e 80.

Ao indicar um general do exército para o cargo, Dória ignora promessa feita aos policiais civis durante a campanha, que um membro da corporação seria o novo secretário, Entretanto, segundo matéria do Jornal Folha de S. Paulo, foi orientado por auxiliares a recuar da promessa pois entraria em atrito com a Polícia Militar, que não admitiria ser secundarizada em um momento onde os militares voltam a ser atores políticos centrais no país.

O general Campos foi um dos responsáveis pela área de segurança do programa de governo de Geraldo Alckmin para a Presidência da República, sendo uma figura já conhecida entre os tucanos. Também se mostrou muito alinhado aos tucanos em termos de política de segurança e desconversou quando indagado sobre o PCC, afirmando que ainda precisa se inteirar melhor do assunto, e defendendo a política de genocídio da PM paulista, afirmando que “ninguém mata por matar” e que avaliará caso a caso, já demonstrando que a impunidade policial continuará em alto em São Paulo.

Cada vez mais os militares passam a ser escalados para cargos políticos, criando um risco de politização ainda maior dos quarteis e incitando os militares a cada vez mais resolverem as coisas da forma como preferem, com repressão. Precisamos organizar milhares de comitês de organização em todo o país para podermos resistir aos aos ataques que virão e a qualquer medida autoritária que os militares ou Bolsonaro se sintam a vontade para implementar.




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