Cultura

JOÃO DORIA

Doria ameaça desocupar Ocupação Cultural Mateus Santos em Ermelino Matarazzo SP

terça-feira 31 de outubro| Edição do dia

Desde seu início a gestão Doria em São Paulo vem se colocando ao lado dos empresários e contra o povo paulistano. Doria ataca a população pobre e seus direitos de todas as maneiras, como impedindo que crianças repitam o prato da merenda ou se propondo a alimentar as pessoas em situação de rua com uma ração de restos industriais. Em relação à arte, Doria também já mostrou a serviço de que está: com pouco tempo de mandato e uma política extremamente higienista, o prefeito de São Paulo mandou pintar de cinza o maior muro de grafite da América Latina, localizado na avenida 23 de maio.

Desta vez, Doria ataca novamente o acesso à arte e cultura paulistana, perseguindo integrantes do Movimento Cultural Ermelino Matarazzo e ameaçando fechar a Ocupação Cultural Mateus Santos. O secretário da Cultura de Doria, André Sturm, além de perseguir e ameaçar integrantes da ocupação, também fez declarações falsas com o objetivo de atacar o movimento, alegando que a ocupação é formada por poucas pessoas e os projetos não passam por prestação de contas. Em nota oficial, reproduzida abaixo, o Movimento Cultural Ermelino Matarazzo desmente tais declarações. Todo apoio aos integrantes que lutam para trazer acesso à cultura para toda a população, contrariando a direita que vem travando uma série de ataques contra esse direito elementar.

Reprodução da nota divulgada:

"NÃO AO FECHAMENTO DA OCUPAÇÃO CULTURAL DE ERMELINO MATARAZZO!

Salve família!

É com grande tristeza que informamos que a Ocupação Cultural Mateus Santos foi ameaçada de ser interditada no dia 31 de outubro às 14h pela gestão João Dória!

Desde o lamentável episódio no qual o Secretário Municipal de Cultura, André Sturm, ameaçou “quebrar a cara” de um integrante do Movimento Cultural Ermelino Matarazzo e ameaçou fechar a Ocupação, temos sofrido uma série de ataques. A prova disso é que o próprio secretário de cultura, em entrevista recente ao jornal Folha de São Paulo, fez acusações mentirosas: afirmando que a Ocupação é formada por poucas pessoas e que nossos projetos nunca haviam passado por nenhum processo de prestação de contas.

Para desmentir o secretário: (1) A gestão e a programação da ocupação conta com a presença de coletivos, artistas e moradores do bairro, no espaço circulam mensalmente mais de 1.000 pessoas, que desfrutam de atividades diversas (o que pode facilmente ser verificado em nossas redes); (2) Nossos projetos sempre passaram por processos de prestação de contas, o último deles inclusive foi uma auditória incomum do Tribunal de Contas do Município que, cabe destacar, não apresentou nenhuma irregularidade.

Nesse sentido, fica evidente que estamos sofrendo uma clara perseguição política, que iniciou com as ameaças diretas do secretário, passou pela judicialização e agora passa para a ameaça de ser interditada pela Prefeitura Regional. A justificativa apontada é que o prédio está condenado, um argumento mentiroso que é utilizado para justificar a intenção política de interromper as ações culturais desenvolvidas pelos coletivos e artistas que compõe a Ocupação.
O prédio onde está funcionando a ocupação ficou desocupado por aproximadamente dez anos. Foi a ocupação que promoveu o uso social do imóvel, ao mesmo tempo que conquistou o primeiro espaço cultural para a região de Ermelino, que até então não tinha uma Casa de Cultura – uma luta de mais de três décadas no bairro. Inclusive, antes mesmo do laudo da prefeitura que aponta que o prédio está condenado, realizamos outra avaliação, que atesta a possibilidade de manter as atividades no local e as reformas que são necessárias para melhorar a estrutura.

Não concordamos com mais essa decisão autoritária, tomada sem nenhum diálogo com os produtores culturais do bairro e com a comunidade. Ressaltamos que a Ocupação Cultural Mateus Santos tem uma importância fundamental, oferecendo uma extensa programação para os moradores de forma totalmente gratuita, mesmo sem nenhum incentivo da atual gestão. Além da programação cultural, a Ocupação conta com biblioteca comunitária e espaço de convívio, abertos de terça-feira à domingo, atendendo um grande número de pessoas. Os prejuízos do fechamento desse espaço para a comunidade de Ermelino Matarazzo são incalculáveis, ainda mais sem nenhuma contraproposta por parte da prefeitura.

Sabemos que os ataques da gestão não se restringem ao Movimento de Ermelino, mas a todos os movimentos culturais da cidade que defendem a cultura como direito e que não aceitam o desmonte das políticas públicas que vem sendo promovido nas mais diversas áreas da cidade, inclusive na cultura.

Pedimos apoio aos moradores do bairro, produtores culturais, coletivos e todos aqueles que já passaram, acreditam e apoiam a Ocupação Cultural de Ermelino Matarazzo!

Demonstre seu apoio utilizando a hashtag #OcupaErmelinoResiste




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