Política

Dória, um ’humilde’ herdeiro das capitanias hereditárias

domingo 25 de setembro| Edição do dia

Em seu tempo de televisão para a campanha, Dória usa grande parte dos 3 minutos para explicar suas origens humildes e como desde cedo teve de trabalhar para sustentar a família. Um conto frutífero para apagar o mal-estar que causa na mentalidade pública cada vez que se ouve que este magnata milionário do PSDB ligado à FIESP “é um do povo”.

Na verdade, as origens genealógicas da família de Dória, um sobrenome “ilustre” de proprietários e políticos dentro e fora do Brasil há séculos, dificilmente encontrará paralelo com a vida comum de escravos, trabalhadores urbanos ou rurais: Costa Doria é uma família brasileira do período colonial, cujos membros foram senhores de engenhos, militares, políticos, senhores de escravos e intelectuais.

Esta é uma família de raízes feudais na Europa, já poderosa em fins do século XI em Gênova. Os Dorias tinham feudos na Sardenha desde começos do século XII, além dos senhorios de Dolceacqua e de Oneglia. Em Gênova exercem grande poder político até meados do século XIV.


Árvore genealógica dos Costa Dória

A família Costa Doria origina-se do casamento entre Fernão Vaz da Costa, fidalgo português, filho do Dr. Cristóvão da Costa, autoridade máxima judicial em Portugal a seu tempo, e Clemenza Doria, genovesa enviada ao Brasil para lá se radicar.

Fernão Vaz da Costa, militar, chegou ao Brasil em 1549, comandando uma das naus da armada que levou à colônia o seu primeiro governador geral, Tomé de Sousa. Clemenza Doria foi enviada ao Brasil em começos de 1555, para se casar. Fernão Vaz, ao que tudo indica, faleceu ao redor de 1567, em conflito com os índios da região do Recôncavo baiano.

No século XVIII a família sofre um declínio. O primogênito do terceiro casamento de Martim Afonso de Mendonça, Cristóvão da Costa Doria, terceiro do nome Cristóvão, fixa-se em Itapicuru (BA), onde deixa descendência. Destes provêm os Costa Doria de hoje.

João Agripino da Costa Doria, pai do candidato João Dória, foi redator-chefe do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda, além de oficial-de-gabinete de Landulfo Alves, interventor federal na Bahia durante o Estado Novo de Getúlio Vargas.

Vê-se por isso que vai por água abaixo a lenda das “origens humildes e pobres” do milionário empresário radicado na FIESP.

Grileiro de terras

Fazendo jus aos antepassados proprietários de terras, o nada “humilde” João Dória assumiu que não cumpriu intimação para que devolva o terreno invadido e apropriado ilegalmente à sua (outra) mansão na cidade de Campos do Jordão. A própria declaração não deixa de mostrar a petulância da velha oligarquia com suas “expressivas” propriedades.

“Aquilo é uma viela sanitária, não é um prédio público, e não fiz ocupação. Fiz o que a prefeitura determinou e paguei por isso. Não sou invasor. [A viela] É de 400 m², minha propriedade tem 16 mil m². É inexpressivo, mas não importa. Tem de ser correto.”

Rápidos para usar a polícia e atacar os movimentos sociais que demandam legitimamente um lugar para morar, os prefeitos de Campos do Jordão, nos últimos anos, não atenderam a ordem judicial para fazer a reintegração de posse do candidato-grileiro. O último deles, que também é do PSDB, corre o risco de ser processado por improbidade administrativa.

Com a campanha eleitoral e o relevo político que ganhou a questão, Dória não conseguiu esconder mais a apropriação ilegal. Pela segunda vez, Dória recebe a exigência de devolução do terreno público, após ignorar nobremente o primeiro chamado. A decisão da juíza Denise Vieira Moreira, da 1° vara da comarca de Campos de Jordão, foi tomada após o candidato ser questionado ao vivo sobre o tema pelo repórter César Tralli, da TV Globo (que por sua vez é insuspeitamete vinculada ao tucanato, e proeminente atora do golpe institucional).

Como denunciamos na coluna da candidata a vereadora anticapitalista por São Paulo, Diana Assunção (50200), Dória se esforça por mostrar que "é um gestor, um empresário, e não um político" para escapar da crise de representatividade no país; entretanto, não convence ninguém da sua "apolítica". É um político do tucanato paulista, envolvido no esquema de sonegação de impostos com empresas fantasma, os Panama Papers, tendo recebido dinheiro de empreiteiras ligadas à Lava Jato. Pode-se ver as 11 razões para não votar em Dória aqui.




Tópicos relacionados

Eleições 2016   /    PSDB   /    Política

Comentários

Comentar