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Donos da Abril demitem e não pagam os trabalhadores, mas são considerados entre as famílias mais ricas do país segundo a Forbes

A família Civita, com uma fortuna estimada de 3,3 bilhões de dólares no ano passado, com seus três herdeiros bilionários, apareceu na lista dos mais ricos do país neste ano. Esses são os bilionários que alegam falência para tirar o sustento e jogar na rua centenas de famílias.

quarta-feira 5 de setembro| Edição do dia

A Editora Abril demitiu em massa 800 trabalhadores nas ultimas semanas e pediu recuperação judicial alegando que não teria condições de pagar seus “credores”. A Abril possui diversas dívidas com os principais bancos do país, mas o absurdo é que a justiça burguesa considera que são “credores” todos os trabalhadores demitidos pela empresa. Dessa forma a recuperação judicial serve como um mecanismo para que a família Civita, depois da demissão em massa, não pague nem os direitos trabalhistas mínimos desses trabalhadores.

Esse absurdo se complementa com a publicação da Forbes que lista as 15 famílias mais ricas do Brasil e em décimo primeiro lugar estão eles, os Civita, que com um patrimônio de 3,3 bilhões de dólares, fazem manobras jurídicas para alegar dificuldades financeiras.

Essas demissões acontecem em um cenário nacional que com toda a certeza a familia Civita e os diretores da abril estão de olho, um cenário de ataques aos direitos trabalhistas ainda mais profundos do que os governos do PT já haviam feito aos trabalhadores, como a aprovação da terceirização irrestrita pelo o STF.

Mesmo pedindo recuperação judicial a família Civita segue a produção da sua revista golpista e reacionária, a Veja. A mesma Forbes também narra em outra matéria a trajetória de Roberto Civita com o surgimento da revista Veja, as formas como conseguiu chegar a maior tiragem de uma revista fora dos Estados Unidos e também as ligações da Veja com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Diz que a Veja se envolveu na cobertura em corrupção e lavagem de dinheiro. Menciona a CPMI de Cachoeira e de suas 167 convocações entre as quais um editor de Veja.

Tudo isso só mostra como os trabalhadores precisam ver que esses são seus patrões, bilionários que têm o estado capitalista em sua defesa, que escandalosamente mentem para tirar-lhes o emprego e seus direitos, que usam do trabalho duro e impressionante dos gráficos industriais, jornalistas e administrativos para produzir um conteúdo a favor da reforma trabalhista, da reforma da previdência, da terceirização irrestrita e a favor do golpe institucional. Para a revista Veja, seus editores chefes e para a família Civita não há crise, há oportunidade, para os trabalhadores está a demissão.

Os trabalhadores da Abril precisam exigir de seus sindicatos gráficos e das entidades sindicais dos jornalistas que mobilizem fortemente as categorias para impedir esse ataque profundo a essas 800 famílias. Em vez de exigir apenas as verbas rescisórias, é preciso ver que os bilhões da família Civita é parte das contas da Editora Abril, precisam exigir a readmissão imediata de todos os trabalhadores para que a crise da editora Abril seja paga com o patrimônio dos Civita que lucraram gerações as custas dos trabalhadores. Caso os Civita se neguem a Editora Abril deveria ser expropriada e estatizada, não para ficar nas mãos do governo corrupto, mas para ser controlada sob a gestão dos próprios trabalhadores, passando a disponibilizar toda sua estrutura gráfica para beneficio da população. Assim também deixaria de imprimir o lixo golpista e reacionário que é a Veja e poderia passar a imprimir coisas muito mais importantes como livros didáticos, de literatura e cadernos para todas as escolas do país ou também materiais de campanha de utilidade pública em diversas áreas, como na saúde, para todos os hospitais e postos de atendimento.

Se os patrões fecham postos de trabalho, cabe aos trabalhadores reabri-los!
Famílias nas ruas nunca mais!




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