CORONA VÍRUS

Dono do Madero acha seu lucro mais importante que evitar "5 ou 7 mil" mortes

Em vídeo publicado em rede social, Junior Durski, dono da rede de restaurantes Madero, sócio de Luciano Huck e bolsonarista de carteirinha dá declarações assustadoras minimizando a vida das pessoas frente à pandemia da covid-19.

terça-feira 24 de março| Edição do dia

"Não podemos [parar] por conta de 5 ou 7 mil pessoas que vão morrer, eu sei que é muito grave, sei que isso é um problema, mas muito mais grave é o que já acontece no Brasil", afirma o empresário.

Com o negacionismo científico típico dos bolsonaristas ele vai mais fundo: “Não pode simplesmente os infectologistas decidirem que tem que todo mundo parar independente das consequências gravíssimas que o Brasil vai ter na sua economia”.

Seu eixo de argumentação durante todo o vídeo de limita a dizer que o cenário que já acontece no Brasil sempre, com milhares de mortes violentas ou por desnutrição, vai se agravar pelas consequências econômicas de parar a circulação de pessoas e que isso é muito mais grave que as mortes pela covid-19, inevitáveis, segundo ele.

O que sua genialidade empresarial não permite dizer é que o cenário brasileiro e mundial que joga massas da população na miséria, na fome, no crime, na morte cotidiana e agora na pandemia da covid-19 se chama capitalismo, onde alguns como ele se apropriam da riqueza produzida por milhões.

As mortes pela covid-19 só são inevitáveis hoje porque no capitalismo o lucro importa mais que a vida das pessoas. Não falta tecnologia nem recursos para encarar o corona vírus sanitária e economicamente, nem aqui nem em qualquer lugar do mundo. Acontece que esses recursos estão concentrados nas mãos de capitalistas como Junior Durski, seu sócio Luciano Huck, os banqueiros, latifundiários, que agora vão fazer política com a crise, vão tentar se mostrar preocupados e prestativos, mas que em toda a sua trajetória de acumulação de riqueza não se preocuparam em aumentar ainda mais o abismo social num dos países mais desiguais do mundo.

Um combate racional ao corona vírus se faz com o Estado garantindo testes para todos que queiram, para tornar possível uma quarentena consciente, onde sabemos quem está infectado e precisa ser isolado e quem pode seguir trabalhando. E que os trabalhadores controlem essa produção para servir realmente ao combate à crise e não ao lucro desses empresários.

E não nos enganemos com as lágrimas de crocodilo dos capitalistas, há muito recurso, muita riqueza, em suas fortunas particulares que deveriam ser taxadas e os recursos revertidos em leitos de UTI, mas também nas fortunas de dinheiro público que vão para os banqueiros como pagamento da fraudulenta dívida pública, por exemplo.

Mais que nunca os trabalhadores não podem aceitar pagar pela crise, ela não é nossa e as mortes não são inevitáveis é o capitalismo que não dá mais.




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