Mundo Operário

ABAIXO AS DEMISSÕES DA DONNELEY

Donnelley: a falência é fraude!

Enquanto Bolsonaro baba ovo pros EUA, multinacionais milionárias fazem o que querem aqui, inclusive demitir em massa. Se há falência, por que não mostram as planilhas de contabilidade da matriz?

quinta-feira 11 de abril| Edição do dia

A principal fábrica gráfica do mundo, a norte-americana RR Donnelley, parte da lista das 500 maiores da revista Fortune e que registrou faturamento de quase US$ 7 bilhões no ano passado, simplesmente fechou as portas e, sem mais aviso que um papel no portão de entrada, anunciou sua "falência". A justiça dos patrões, em vez de decretar ilegal essa falência fajuta, acatou a decisão do fechamento da fábrica!

Uma das principais consequências da reforma trabalhista é a possibilidade da patronal demitir em massa sem grandes custos, tudo garantido pelo judiciário autoritário e seus tribunais "do trabalho", que são quase porta-vozes do RH das empresas. Bolsonaro fechou o Ministério do Trabalho, apoiou a reforma trabalhista, e agora vai aos EUA dizer ao Trump que o Brasil está de portas abertas para suas empresas virem fazer isso!

Com essa decisão judicial, os trabalhadores sequer conseguirão suas rescisões, que dirá o pagamento de todos os direitos, que o advogado da empresa já declarou que é improvável que sejam pagos. Diante desse cenário, não há tempo a perder, pois se isso acontece hoje na Donnelley, amanhã poderá acontecer com qualquer outra gráfica da região.

É por isso que o sindicato, dirigido pela Força Sindical, deveria organizar um plano para continuar a mobilização na Donnelley contra as demissões e o calote da empresa nas verbas rescisórias, e deveria organizar uma ampla campanha de solidariedade entre os trabalhadores da região e construir um plano de lutas que os unificasse contra todos os ataques. Parte dessa campanha deveria ser a arrecadação de dinheiro para que os funcionários que estão passando por mais necessidade pudessem ser amparados até que a situação se resolva.

Bolsonaro e seu governo simplesmente não se pronunciaram sobre o tema, com medo de irritar seus amos na Casa Branca. Por anos o governo precisou contar com o trabalho de centenas de trabalhadores para a impressão do Enem e hoje preocupam-se apenas em substituir a fábrica, como se os funcionários fossem peças descartáveis. Tentam ao máximo abafar o caso, para esconder as investigações de fraudes que envolviam as licitações do Inep com a Donnelley. A gráfica Plural se aproveita da situação e, como urubu, pressiona as investigações, não para fazer justiça mas para tentar abocanhar seu pedaço e ganhar a impressão da prova.

Contra isso, é preciso construir uma forte luta que exija da justiça e do Estado que decretem a reabertura imediata da fábrica. Se ela não serve mais aos lucros dos empresários, com certeza servirá à população, portanto deveria ser estatizada sob controle dos trabalhadores, como é hoje a ex-Donnelley na Argentina, que passou pela mesma situação que está ocorrendo agora. Veja trecho da carta enviada pelos trabalhadores argentinos em solidariedade aos companheiros brasileiros:

"(...)Felizmente nos organizamos em assembleia e ocupamos a fábrica. Não aceitamos suas ladainhas. Exigimos que a patronal se explicasse abrindo os livros de contas. E quando nos responderam com o silêncio colocamos a fábrica para produzir, demitimos o patrão e hoje estamos há 5 anos produzindo sob gestão dos trabalhadores com o apoio da comunidade a nossa volta, com o novo nome Madygraf. Viemos através deste comunicado transmitir toda nossa força e solidariedade com a luta de vocês."

Assista na íntegra o vídeo em solidariedade aos trabalhadores:




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