Gênero e sexualidade

[PUC SP] LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

Dom Odilo não nos representa: por toda a PUC-SP pela legalização do aborto no dia 08

As e os estudantes da PUC precisam se somar à luta pela legalização do aborto, fazendo como as argentinas, que no próximo dia 8 podem ter esse direito legalizado a partir de aprovação no Senado, e também pela urgente separação entre igreja e estado.

Iaci Maria

Estudante de Pedagogia da PUC-SP

quinta-feira 2 de agosto| Edição do dia

Uma “maré verde” tomou a conta das ruas de toda a Argentina. Milhares de mulheres, jovens, idosas, trabalhadoras e estudantes, saíram às ruas com suas bandanas verde para exigir do Estado o direito elementar da legalização do aborto. Esta ampla mobilização que teve início faz alguns meses impôs a aprovação da legalização do aborto na Câmara dos Deputados no dia 13 de junho, e agora no dia 8 de agosto a decisão final segue para o Senado.

O movimento de mulheres se prepara para um momento decisivo, se o aborto legal for aprovado na Argentina servirá como ponto de apoio fundamental para nossa luta aqui no Brasil, assim como para outros diversos países da América Latina onde o aborto segue ilegal. Semana passada, seguindo o exemplo da Argentina, no Chile cerca de 50 mil pessoas marcharam em defesa do direito ao aborto.

No Brasil estima-se que meio milhão de mulheres realizam abortos todos os anos, são 1300 por dia, 57 mulheres por hora colocam suas vidas em risco para interromper uma gravidez indesejada. As condições precárias da ilegalidade a que são submetidas leva a que 4 mulheres morram por dia tentando abortar, destas 3 são negras. Isto nos leva a concluir que o aborto é uma questão de saúde pública, e que diz respeito à vida das mulheres, aos seus direitos de viver e decidir pelos seus corpos, e não é um assunto para ser tratado no âmbito religioso como moeda de troca com as bancadas religiosas como fez o PT durante os 13 anos de governo.

O Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, hoje Grão-Chanceler da PUC/SP, o mais alto cargo da universidade, acima da própria Reitora Maria Amalia, já se pronunciou publicamente contra o direito das mulheres de interromper a gravidez, chegando ao absurdo de se posicionar contrário a que mulheres grávidas de feto com anencefalia possam utilizar do direito de abortar, que hoje é um dos poucos casos em que é garantido por lei. O Cardeal também é contra grávidas abortarem em caso de feto com microcefalia e contra inclusive a interrupção da gravidez nos casos em que a mulher corre risco de vida.

Essa é a hipócrita defesa da vida que deliberadamente escolhe que a mulher deve morrer. É também a hipocrisia de quem acha que as mulheres são obrigadas a serem mães, mas não garante condições para que exerçam sua maternidade, como é o caso da PUC que possui diversas estudantes e trabalhadoras que são mães, mas não possuem uma creche onde possam deixar seus filhos.

Diante dos posicionamentos criminosos de Dom Odilo contra os direitos das mulheres, se faz mais do que necessário levantar na PUC uma forte campanha pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito, e mostrar para essa universidade conservadora e elitista que nós mulheres que estudamos na PUC não somos coniventes com a morte de milhares de mulheres todos os anos. Também devemos nos organizar para exigir que o Estado seja laico de fato, que Igreja e Estado sejam assuntos separados, e na PUC também não aceitaremos que a Igreja decida sobre nossos corpos.

Nos dias 3 a 6 de Agosto ocorrerá uma audiência pública no STF, um dos principais atores do golpe institucional, sobre a ADPF 442 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) que trata a descriminalização do aborto e não tem caráter decisório. Entendemos que não devemos ter nenhuma confiança no STF, nem no Congresso Nacional, muito menos afirmar que uma audiência pública sem caráter decisório e de discussão exclusiva da descriminalização do aborto é o que vai conquistar a legalização do mesmo. A descriminalização já seria um passo importante, mas é urgente que o PSOL e as organizações de esquerda centrem suas forças na luta pela legalização, para que esse simples procedimento seja garantido de forma gratuita e segura pelo SUS. Esse direito garantido em lei só poderá ser arrancado a partir de uma forte mobilização com as mulheres jovens e trabalhadoras à frente.

Neste 8 de agosto o Pão e Rosas está organizando atos em diversas capitais São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro, para apoiar a luta das argentinas, pois nesse dia será votado a legalização do aborto no Senado do país vizinho. Internacionalmente, haverão mobilizações em diversos países da América Latina.

Chamamos todas as entidades e coletivos da PUC a organizarmos uma forte participação da universidade no ato do dia 8, e encabeçar essa campanha para fazermos como as argentinas e lutar nas ruas para legalizar o aborto, assim como a todas as estudantes da PUC, e os estudantes homens também, a participar do ato que ocorrerá em São Paulo em frente ao Consulado Argentino às 18h, para dizer BASTA de mulheres mortas por abortos clandestinos, Igreja e Estado são assuntos separados.

Vamos marchar contra todas as barreiras contra nossos direitos que o Cardeal da PUC defende, faremos nossa voz em defesa da legalização do aborto ecoar por todo o país. Agora é a hora de seguir o exemplo da Argentina e legalizar o aborto no Brasil também para arrancar das mãos da Igreja e do Estado o direito ao aborto legal, seguro e gratuito.

Veja o evento o ato em São Paulo dia 8/8 aqui




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