Economia

INFLAÇÃO

Dólar sobe e aumenta carestia de vida

O dólar terminou o dia cotado a R$ 5,8192, tendo chegado, mais cedo, a R$ 5,8402. No primeiro quadrimestre, a alta acumulada do dólar comercial foi de 35,6%. O dólar turismo bateu R$ 6,00, sem o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

terça-feira 12 de maio| Edição do dia

O dólar terminou o dia de hoje (11) cotado a R$ 5,8192, tendo chegado, mais cedo, a R$ 5,8402. O valor da moeda estadunidense só é menor que o da última quinta (07), quando atingiu a máxima histórica de R$ 5,8459. Novamente, o dólar turismo superou os R$ 6,00, sem o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). No primeiro quadrimestre, a alta acumulada do dólar comercial foi de 35,6%.

A desvalorização cambial é agravada pela crise política e por uma diminuição da taxa básica de juros, a Selic, maior que a prevista pelo capital financeiro. Essa diminuição visa estimular o consumo e o investimento e, assim, conter a queda da atividade econômica causada pela pandemia, mas também diminui a atratividade dos investimentos estrangeiros em carteira e, por conseguinte, o estoque de dólares do Banco Central. A fuga de capitais de países dependentes e semicoloniais desde o início do ano já é estimada em mais de US$ 80 bilhões. Além disso, a queda da demanda e dos preços internacionais dos produtos exportados por esses países é outra fonte de vulnerabilidade externa.

Calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril atestou deflação de 0,31%, sendo o menor desde agosto de 1998. Porém, este resultado é devido à queda dos preços dos combustíveis (-9,59%) e, em menor medida, de eletrodomésticos, itens de mobiliário e energia elétrica. Já o grupo alimentação e bebidas teve alta de 1,79%, maior que a de março, 1,13%, ou seja, houve aceleração da inflação neste grupo.

O feijão carioca teve alta de 17,29%, segundo os dados do IBGE, mas o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) afirma que o aumento dos preços desse grão pode variar entre 5,59% e 37,73%, dependendo da região do país. O leite aumentou, em média, 9,59%, mas mais de 15% em Goiânia, Porto Alegre e São Paulo. A cebola e a batata subiram 34,83% e 22,81%, respectivamente, mas esta última aumentou mais de 40% em Belo Horizonte! O DIEESE calcula o valor que o salário mínimo deveria ter para satisfazer as necessidades constitucionalmente previstas de uma família trabalhadora. Em abril, o salário mínimo do DIEESE chegou a R$ 4.673,06, 4,47 vezes maior que o oficial (R$ 1.045,00)!

O encarecimento do dólar também deverá exercer pressões inflacionárias à medida que as importações de insumos industriais se tornam mais caras, embora este custo ainda não possa ser repassado ao consumidor final devido à contração da demanda. Nos últimos 12 meses, o grupo de materiais e componentes para manufatura do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), teve alta de 7,75% em seus preços. Em dezembro, a alta acumulada em doze meses era de 1,81%.

A inserção internacional do Brasil, um país dependente e com traços semicoloniais, e os impactos do coronavírus na economia redobram a carestia de vida, enquanto o governo destina trilhões para auxiliar os bancos e os grandes empresários. Os trabalhadores precisamos lutar para que sejam os capitalistas, e não nós, a pagar pela crise!




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