Sociedade

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Dois terços dos casos de feminicídio acontecem na casa da própria vítima

O Estado de São Paulo noticiou ontem (1) que, segundo pesquisa do Ministério Público Estadual, 2 de cada 3 casos de feminicídio são na casa da vítima.

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

sexta-feira 2 de março| Edição do dia

Foto: ED VIGGIANI/AE

O Núcleo de Gênero do MPE investigou 356 denúncias apresentadas à Justiça e revelou que a maioria dos crimes são cometidos pelo uso de armas brancas (58%), como facas, ou ferramentas (11%), como martelo, com o objetivo de ferir ou matar. Já o uso de arma de fogo foi verificado em 17% dos crimes.

Essa pesquisa também indica que em 75% dos casos de feminicídio, a mulher tinha laço afetivo com o agressor, que, no caso, poderia ser seu namorado ou marido. Quase metade dos registros apontam que o motivo do ataque teria sido a separação ou o pedido de separação do casal, nitidamente nos mostrando que o real motivo é o machismo e o sentimento de posse do homem sobre a mulher.

Além disso, para escancarar o caráter machista dos casos de assassinato de mulheres, feminicídios, o estudo expressa que 68% dos crimes aconteceram durante a semana e 39%, durante o dia, na vida cotidiana e rotineira da mulher. Ataque com uso das mãos para asfixiar ou espancar a vítima são 10% do total, o que revela a condição misógina do agressor, em posição de desprezo e necessidade de acabar com a sua vida.

Por isso, é urgente a luta das mulheres e dos trabalhadores imponha um plano de emergência de combate à violência contra a mulher. Políticas que devem ser garantidas pelo Estado, como auxílio financeiro, casas abrigo e um plano de moradia às milhares de famílias sem teto. Todo apoio a vítimas de violência, com equipes especializadas, dispensa do trabalho e estudo. O plano também tem medidas que combatem a precarização do trabalho e da vida, exigindo a revogação da reforma trabalhista e o fim da terceirização do trabalho com a incorporação de todos os terceirizados ao quadro efetivo de funcionários, lutando pela igualdade de direito e salário entre todos os trabalhadores, homens e mulheres.

Veja mais: Rita Cardia e Tassia Arcenio do Pão e Rosas falam sobre o Plano de Emergência contra a Violência às Mulheres




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