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Doentes e sem salário, assim são tratados os trabalhadores do bandejão da USP

quarta-feira 14 de outubro de 2015| Edição do dia

Os trabalhadores dos bandejões da USP já vêm denunciando as péssimas condições de trabalho, o assédio moral e o adoecimento há bastante tempo. Foram quase cinco meses de negociação, com nenhum avanço. No dia 18 de setembro, dia de luta da classe trabalhadora contra os ataques do governo e dos patrões, os funcionários dos restaurantes Central e Física decidiram paralisar as atividades e foram exigir do superintendente da SAS (Superintendência de Assistência Social) Waldyr Jorge, melhores condições de trabalho e mais contratações.

Quase 45% dos trabalhadores dos restaurantes, da capital e do interior, tem restrições médicas devido a lesões causadas pelo trabalho exaustivo e repetitivo. Os trabalhadores repetem até 12 mil vezes o mesmo movimento por semana. Manipulam toneladas de carne, arroz, feijão e verduras. Trabalham num ambiente com temperaturas elevadíssimas, vapor constante, além do assédio das chefias. Todos os dias são queimaduras, cortes, acidentes, além das sores insuportáveis nos braços, mãos, pernas e coluna. Os trabalhadores sofrem com tendinite, bursite, hérnias de coluna e cada vez mais estão adoecendo psicologicamente com sintomas de depressão, síndrome do pânico, surtos de choro e ansiedade, pois não suportam mais o ambiente de trabalho. Outros tantos já fizeram cirurgias nos pulsos e carregam pra sempre essas cicatrizes. Quem ainda não adoeceu é questão de tempo. No entanto, ao lutarem e denunciarem esse escandaloso processo de adoecimento causado pelo trabalho receberam como resposta do sr. superintendente Waldyr Jorge o desconto do dia paralisado.

Arrancam nosso suor e nossas lágrimas, agora querem nossos salários!

Essa atitude é mais um ataque ao legítimo direito de greve dos trabalhadores. Mais uma vez reitoria, superintendentes e chefetes tentam intimidar os trabalhadores. Além de arrancarem a saúde e o suor dos trabalhadores, agora querem tirar o seu sustento. O fruto do trabalho de cada trabalhador, seu salário, mal dá para o fim do mês, principalmente agora, pois quando a crise aperta é o trabalhador quem mais sente. Pais e mães de famílias que, por lutarem, são duramente punidos pela gestão criminosa da USP, representados pelo reitor Marco Antônio Zago e por Waldyr Jorge, que além de controlar a SAS, controla também a Faculdade de Odontologia e o HU (Hospital Universitário), este último sofrendo também duros ataques, além do processo de desmonte que atinge toda a universidade.

Marcello Pablito, diretor do Sintusp e trabalhador do restaurante da Física afirma: “Já não suportamos mais o excesso de trabalho. Todos aqui estão doentes, com restrições médicas que são desrespeitadas pelas chefias. Paramos dia 18 porque a situação está insustentável. No entanto, querem nos manter calados, punindo aqueles que lutam, tirando seu sustento, o sustento de cada pai e mãe de família que luta diariamente pra sobreviver. Chamamos todos a seguir o exemplo que deram os trabalhadores da prefeitura do campus, que mesmo diante da ameaça de corte de salário e até de demissão, não cederam e se mantiveram na luta. Só assim podemos reverter o corte de ponto e lutar pela universidade”.

Intimidar, dividir e desmoralizar são as armas sujas da reitoria da USP. Mas os trabalhadores do Restaurante Central responderam a essa tentativa aprovando a paralisação das atividades, junto com o conjunto dos funcionários da USP, para amanhã 15 de outubro. É mais um dia de luta em defesa da Universidade, contra o desmonte e a precarização do trabalho.

Jéssica Antunes, estudante da Letras, também faz um chamado aos estudantes, para se unirem aos trabalhadores: “Todo estudante tem que apoiar a luta dos trabalhadores. Na paralisação da prefeitura aprendemos uma importante lição, que a luta em defesa da universidade contra o desmonte, não se dará de forma isolada. Temos que unir a força dos trabalhadores a da juventude. No dia que os estudantes ocuparam o bandejão pudemos sentir por algumas horas o que os trabalhadores sentem todos os dias. Devemos lutar contra a precarização do trabalho, pois em breve seremos nós também os precarizados!”

Todos à paralisação do dia 15 de outubro! Contra o desmonte e a precarização !
Basta de adoecer trabalhando!
Por mais contratações!

Tudo sobre a situação dos bandejões:

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