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#BLACKLIVESMATTER

Do México: Racismo e brutalidade policial nos EUA, o inimigo comum dos negros e latinos

Sob a pandemia, piorou a situação da comunidade negra e latina. Cresce a mobilização multiétnica contra a segregação e a brutalidade policial que sofrem os negros norte-americanos.

quinta-feira 4 de junho| Edição do dia

O brutal assassinato de George Floyd pelas mãos de quatro policiais da cidade de Minneapolis abalou o mundo. Provocou uma verdadeira revolta social que se espalhou nacionalmente, encabeçada pela população negra, junto a milhares de jovens e trabalhadores brancos, latinos e de outras minorias étnicas.

Ao grito de #BlackLivesMatter, a revolta popular se orienta contra a brutalidade policial e o racismo contra os negros, que é uma parte estrutural do estado imperialista ianque. Vai contra os assassinatos de afro-americanos pelas mãos da polícia, mas também - como muitos manifestantes disseram - contra 300 anos de opressão racial e uma classe dominante que tem o escravismo em seu DNA.

As revoltas anti-racistas e os direitos exigidos pelo movimento negro têm sido, nas últimas décadas, os processos mais explosivos da realidade estadunidense e enfrentaram administrações democratas e republicanas.

Como argumentamos aqui, sob o governo de Donald Trump, o racismo estrutural se agravou - expresso em múltiplas expressões de ódio contra os afro-americanos. E hoje se potencializa sob o coronavírus, onde a maioria das vítimas são negras, pobres e de outras minorias étnicas.

Racismo e brutalidade policial contra negros e latinos

A terrível situação que os afro-americanos enfrentam nos Estados Unidos expõe o caráter racista do estado imperialista, do sistema político e de suas instituições. Os negros têm uma probabilidade três vezes maior de serem mortos pela polícia do que os brancos. Depois deles, os latinos são a segunda minoria que mais sofre a brutalidade policial em sua própria carne.

A segregação racista - cuja expressão mais recente são as ações da Casa Branca e as declarações de Trump contra os migrantes - também está caindo sobre eles.
Como no caso dos afro-americanos, os assassinatos de latinos por policiais ocorrem em uma taxa mais alta do que o peso populacional que eles têm hoje. Os imigrantes indocumentados são o setor mais vulnerável. A ameaça de deportação os torna sujeitos a agressões policiais - que na maioria das vezes não denunciam devido a sua situação de migratória - além de extorsão e abuso sexual.

Os migrantes - em sua maioria são mexicanos, junto com os centro-americanos e caribenhos - são perseguidos, presos em cadeias de imigração e deportados aos milhares. Desde o início da pandemia, os Estados Unidos deportaram mais de 27.000 mexicanos, uma ação verdadeiramente criminosa que pôs eles e as comunidades que os receberam em risco, ao virem do epicentro da covid-19.
Junto aos afro-americanos, os latinos são uma das minorias mais atingidas pela pandemia. Milhares de infectados e mortos, como resultado da situação de pobreza e precarização trabalhista em que se encontram.

Além disso, os migrantes não receberam auxílio estatal para enfrentarem o aumento do desemprego. E acima de tudo, como os negros, os latinos são os que ocupam, em meio à pandemia, os postos de trabalho essenciais mais precários. Por exemplo, são a maioria da força de trabalho dos frigoríficos - que Trump pressionou para que continuassem trabalhando - ou como trabalhadores agrícolas. São negros e latinos aqueles que trabalham na Amazon e nos grandes supermercados, com salários miseráveis ​​e milhares de casos de contágio. Juntos, são o sal da terra. Junto ao resto da classe trabalhadora multiétnica estadunidense, eles movem as fontes fundamentais da economia.

Mobilização multiétnica por justiça para George Floyd

Nas ruas de dezenas de cidades nos Estados Unidos, se faz notar a indignação popular. E lá, muitos latinos se juntaram à revolta liderada por afro-americanos junto a muitos jovens e trabalhadores brancos. Cresce a solidariedade e se desenvolve em uma mobilização multiétnica que se expressa em raiva e que começa a superar as operações ideológicas e políticas da classe dominante para mantê-los divididos.

“Já tem sido demais o que temos aguentado e isso se reflete não apenas com a morte desse homem, mas com as mortes de muitos. E não apenas os afro-americanos, mas também os imigrantes e eu mesma, como afro-latina e afro-caribenha, me identifico com meus irmãos e irmãs por aí ”, disse uma participante do protesto em Harlem, Nova York.

De forma similar, representantes de organizações ativistas latinas emitiram uma declaração que dizia:

Como membros da comunidade latina que sofreram a dor devastadora de ter pessoas próximas assassinadas pela polícia, incluindo o ICE [Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro] e o CBP [Escritório de Alfândega e Proteção de Fronteiras], nas mãos de uma violência policial brutal que sistematicamente mira neles e exterminam suas vidas, dizemos inequivocamente: As vidas negras importam!

A solidariedade dos trabalhadores e jovens latinos com suas irmãs e irmãos negros é fundamental. Trata-se de soldar uma poderosa unidade, com a classe trabalhadora multiétnica a frente, independente dos partidos da burguesia imperialista, e avançar em uma perspectiva de luta consciente e frontal contra o capitalismo e os exploradores.

Como diz o Left Voice: “Temos que construir um movimento de massas nas ruas e desde os locais de trabalho para atacar com um só punho a brutalidade policial racista. Isso significa unir o movimento por justiça com a luta de trabalhadores essenciais que se mobilizam para protegerem-se contra a pandemia; significa exigir que os sindicatos assumam e liderem a luta contra a violência policial”.

O estado imperialista e racista, que segrega e assassina afro-americanos, é o mesmo que na fronteira persegue migrantes da América Central, México e Caribe e os deporta. É o mesmo que oprime o México, que ataca Cuba e Venezuela e os demais países da América Latina.

Por isso é fundamental uma perspectiva anti-imperialista e internacionalista de ambos os lados da fronteira, para unir os que os capitalistas e seus governos querem manter divididos. A partir daqui, do país que os imperialistas consideram seu pátio traseiro, também dizemos fortemente, junto com os milhares de jovens e trabalhadores negros, latinos e brancos que se levantam nos Estados Unidos, as vidas negras importam.

Originalmente publicado em La Izquierda Diario México.
Tradução para o Esquerda Diário: Caio Reis




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