Política

Divulgação de investigações sobre Flávio Bolsonaro são censuradas pela Justiça do RJ

Justiça do Rio proibiu através de uma liminar que a burguesa TV Globo exibisse em reportagens os documentos sigilosos das investigações sobre corrupção de Flávio Bolsonaro. Apesar dos ataques absurdos que os Bolsonaro fazem a essa mídia burguesa, os interesses se unificam quando avançam contra os direitos dos trabalhadores, como se mostrou recentemente com a reforma administrativa proposta pelo governo e elogiada pela Globo.

sábado 5 de setembro| Edição do dia

Foto: Beto Barata - Agência Senado

“Presidente, por que sua esposa Michelle recebeu R$89 mil de Fabrício Queiroz?”. Essa é a pergunta que fez Jair Bolsonaro (sem partido) ameaçar um jornalista de “encher tua boca na porrada”, no final de agosto. As investigações sobre o esquema de corrupção tem sido o assunto que mais amedronta a família Bolsonaro, principalmente depois que Queiroz foi descoberto vivendo escondido na casa do advogado do presidente.

As investigações no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro, hoje senador (Republicanos – RJ) o apontam como a liderança do esquema de “rachadinha”, que consiste em repasses de parte dos salários dos servidores públicos para assessores ou políticos. As transações ocorriam em datas próximas aos pagamentos dos salários na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e caíam na conta de Fabrício Queiroz, amigo íntimo e de longa data de Jair Bolsonaro.

Ontem a noite, sexta (04) Flávio Bolsonaro comemorou a decisão da Justiça do Rio que proibiu, através de uma liminar, que a TV Globo exibisse em reportagens os documentos sigilosos das investigações, o que configura uma censura de assuntos que deveriam ser públicos não só para as mídias burguesas, mas para toda a população. A decisão é da juíza de primeira instância Cristina Feijó, com o pedido feito pelo advogado de Flávio, Rodrigo Roca.

"Acabo de ganhar liminar impedindo a #globolixo de publicar qualquer documento do meu procedimento sigiloso. Não tenho nada a esconder e expliquei tudo nos autos, mas as narrativas que parte da imprensa inventa para desgatar minha imagem e a do Presidente @jairmessiasbolsonaro são criminosas."

Desde que Queiroz foi encontrado, a família Bolsonaro diminuiu o tom nos embates que fazia contra o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Congresso, como se expressava nos atos fascistas que sua base promovia nas ruas em meio a pandemia. Em uma trégua temporária, os poderes do regime degradado que vivemos trocam favores: para proteger os Bolsonaro de seu esquema de corrupção, Executivo, judiciário e Congresso avançam juntos nas reformas que atacam as condições de vida dos trabalhadores, como vimos recentemente com o congelamento do salário dos servidores até 2021 e com a reforma administrativa, que atinge em cheio os trabalhadores da saúde, educação, entre outros, enquanto resguarda as castas privilegiadas dos juízes, promotores, diplomatas e parlamentares.

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Quando se trata de avançar contra os direitos da classe trabalhadora até mesmo as mídias como a Globo, frequentemente atacadas de forma absurda pelo bolsonarismo, se aliam e elogiam o governo. Nesta quinta (03) a Globo publicou um editorial nesse sentido, em apoio à condução da reforma administrativa que no fundo garante a manutenção do teto de gastos nos investimentos em saúde, educação e previdência, para que a verba “economizada” pelo governo seja direcionada ao pagamento da criminosa dívida pública.

Ou seja, para que grandes banqueiros privados internacionais recebam bilhares de reais ao ano, a crise precisa ser despejada nas costas de quem faz o mundo girar: os trabalhadores. Para garantir isso, até mesmo os possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização criminosa, dos quais são acusados Flávio Bolsonaro e Queiroz, não são o suficiente para que as instituições sejam consequentes com aquilo que pregam formalmente. Enquanto milhares de jovens negros são mortos pela polícia e encarcerados pelo judiciário, famílias poderosas são protegidas em vista dos interesses da classe dominante em manter suas posições.

Todas as investigações contra a família Bolsonaro e qualquer outra figura pública deveriam ser completamente transparentes e julgadas por júri popular, a fim de tirar das mãos do judiciário a unilateralidade de suas decisões. O assassinato de Marielle Franco, por exemplo, segue até hoje sem uma resposta sobre quem ordenou o assassinato, apesar das várias ligações com os Bolsonaro que por si só já são revoltantes o suficiente para que continuem em seus postos de poder.

Tirar Bolsonaro e Mourão da presidência através de uma assembleia constituinte livre e soberana, imposta pela luta dos trabalhadores, negros, mulheres, indígenas e toda a população, precisa ser uma resposta levantada por todos os setores da esquerda socialista, a fim de questionar de conjunto esse regime que degrada cada vez mais o nosso futuro em favor de capitalistas corruptos e assassinos.




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