Política

ELEIÇÕES 2020

Divisão dos orçamentos municipais e o fortalecimento do “Centrão”

Com o final das apurações fica evidente o fortalecimentos de partidos burgueses e golpistas na gerencia das maquinas municipais, cuidando das maiores fatias orçamentarias do país e com o maior número de eleitorados, partidos do “centrão” como PSDB, MDB, DEM, PSD e PP administram a partir de 2021 mais da metade das verbas destinadas aos municípios.

segunda-feira 30 de novembro de 2020| Edição do dia

Eduardo Paes e Rodrigo Maia, após vitória do candidato do DEM a prefeito do Rio de Janeiro (fonte: uol notícias/ foto: Wilton Junior/ Estadão Conteudo)

Em matéria vinculada no jornal Valor Econômico são apresentados alguns dados, que com o final das eleições nesse dia 29 de novembro, após o segundo turno. É possível olhar para a divisão orçamentaria do Brasil e ver quais partidos vão administrar as maiores fatias das receitas municipais no país.

Os partidos que compõe o famoso “centrão” no Brasil, a partir de 2021 iram administrar a maior fatia das verbas municipais no país. Com a reeleição de Bruno Covas em São Paulo, a maior cidade do país e com vitória em mais três capitais e outros 529 municípios, o PSDB é o partido que encabeça a lista com a maior fatia orçamentaria no país.

Levando como base os valores de janeiro a dezembro de 2019, serão cerca de R$ 155,1 bilhões de receita orçamentaria somadas nas mãos de prefeitos do PSDB. Junto os municípios que a partir de 2021 vão estar sobre comando tucano, reúnem 24,8 milhões de eleitores.

Como apontado aqui no Esquerda Diário em notas, o fortalecimento do PSDB em 2016 impulsionado pela onda de rejeição do PT chegou a maior marca de população governada nesse século com cerca de 49 milhões de pessoas. E mesmo com a queda na influência do PSDB sobre as máquinas municipais, que em 2016 elegeu prefeitos em 799 municípios. O partido ainda lidera o ranking sendo o mais vitorioso nessas eleições municipais e assim governando o maior número de habitantes no Brasil e administrando a maior fatia dos orçamentos destinados aos municípios.

Leia Mais: Com o fortalecimento do centrão, PSDB terá maior população governada pelo país

MDB, DEM, PSD e PP, são os quatros partidos que seguem o PSDB no ranking, gerindo mais da metade do orçamento nacional destinado aos municípios, e com o maior número de eleitores.

Com uma queda de R$ 4,9 bilhões, o MDB, segundo no ranking de receitas e eleitorado, também terá participação menor a partir do ano que vem, cai de R$ 98,2 bilhões para R$ 93,3 bilhões, mesmo sendo o partido com maior número de prefeitos nas capitais brasileiras.

O caminho oposto ocorre com o DEM, PSD e PP, os outros três partidos que irão gerir os valores mais altos em receitas.

O domínio do DEM em receitas municipais salta de R$32,5 bilhões para R$ 91 bilhões, sendo o maior salto na divisão orçamentaria nessas eleições, o partido que saiu vitorioso no Rio de Janeiro com Eduardo Paes, ontem, já havia triunfado no primeiro turno em Curitiba, com Rafael Greca, em Florianópolis, com Gean Loureiro e em Salvador, com Bruno Reis. Além do avanço em cidades médias e pequenas pelo país.

No Rio de Janeiro Eduardo Paes venceu o atual prefeito bolsonarista Marcelo Crivella, fez seu discurso ao lado de Rodrigo Maia, presidente da câmara. Mas a aparente derrota bolsonarista, não é uma derrota do plano de ataques e reformas de Bolsonaro a classe trabalhadora.

Em discurso Paes disse “A prefeitura do Rio não será uma trincheira de nenhuma ideologia política. Vamos ter um diálogo institucional com o presidente Jair Bolsonaro, o governador Cláudio Castro, pensando no bem dos cariocas. E o presidente Rodrigo Maia tem um papel importante na estabilidade do Brasil, nos ajudará nesse diálogo”.

Que aponta o quão aberto Eduardo Paes está para passar esses ataques contra a classe trabalhadora ao lado de Rodrigo Maia, que afirmou a necessidade de voltar logo após as eleições com a agenda de reformas.

Leia Mais: Comprometido com ataques e reformas, Paes faz discurso de vitória ao lado de Rodrigo Maia

Com um avanço significativo do ponto de vista monetário, o PSD praticamente dobra sua influência, com um salto de R$ 42,9 bilhões para R$ 82,3 bilhões. O PP cresce de forma mais modesta de R$ 34 bilhões para R$ 54,5 bilhões.

No caminho oposto aos partidos ditos de centro, o PT que já foi líder do ranking de gestão de receitas orçamentarias e eleitorado governado, ficou apenas na 11ª posição neste ano, sendo responsável por R$ 20,2 bilhões a partir de janeiro de 2021, um avanço de 13,8% se comparado a quatro anos atrás.

Nos 15 municípios onde disputou o segundo turno o PT saiu vencedor em apenas quatro, Diadema e Mauá, em São Paulo, Contagem e Juiz de Fora, em Minas Gerais. Sendo a primeira vez desde a sua fundação que o PT sai das eleições municipais sem ter ganho em nenhuma capital, tendo perdido no segundo turno nas duas capitais disputava (Recife e Vitória).

Em síntese esses dados mostram que o famoso “centrão”, grandes aliados da burguesia e administradores leais do sistema capitalista, vão se manter à frente das máquinas municipais em mais da metade do país e gerindo grande parte do orçamento destinado aos municípios.

Partidos burgueses e golpistas, a partir de 1º de janeiro de 2021 se mantem a frente das máquinas municipais. Muito comemorado pela mídia burguesa o fortalecimento do chamado “centrão”, que na verdade é uma direita vinda e herdeira da ditadura militar, é uma garantia de toda a agenda de ataques a classe trabalhadora, como inclusive o presidente da câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse ontem que após as eleições deveria voltar essa agenda de reformas. Como a reforma administrativa aplicada pelo Dória em São Paulo, como as privatizações que estão atingindo por exemplo os trabalhadores da Companhia Energética de Brasília (CEB), ataques a toda a classe trabalhadora em conjunto.

Leia Mais: Após eleições, Maia quer retorno imediato da agenda de reformas e ataques pelo governo

O mesmo Rodrigo Maia apontou o fortalecimento de partidos como o DEM ao dizer “O resultado da eleição ele mostra sim, claro, um fortalecimento de partidos do espectro mais liberal na economia e de maior diálogo na sociedade em outros temas, sem essa radicalização”.
No momento fica o cenário concreto de ataques fortalecidos contra a classe trabalhadora e coloca a necessidade de se preparar para fazer frente a todos esses golpes que vão vir. Aponta também a necessidade da unificação dos sindicatos e o rompimento da trégua das centrais sindicais.




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