ITÁLIA

Dirigente da extrema direita italiana faz chamado para “limpar as cidades de imigrantes”

Durante um ato em Bréscia, o representante da ultradireita Liga Norte, Matteo Salvini, se vestiu com o uniforme da polícia e proferiu um discurso abertamente xenófobo e anti-imigrante.

sexta-feira 19 de agosto| Edição do dia

Matteo Salvini, líder da organização de extrema direita italiana Liga Norte, proferiu um discurso carregado de xenofobia durante a celebração da festa de Ferragosto em Ponte di Legno, Bréscia. Salvini se dirigiu a seus seguidores dizendo que “quando chegarmos ao governo a polícia e os soldados terão caminho livre para limpar a cidade”. Imediatamente depois acrescentou que polícia tem atuado de forma completamente oposta, e está “organizada, administrada e paga para explorar os italianos”, e se referiu a quem continua abrindo as portas para os estrangeiros como “pessoas sem caráter, sem princípios”.

Em seguida continuou: “Propomos a todos os membros da Liga que recuperemos um albergue em cada região para restitui-los aos italianos com dificuldades (...) Peguemos um caminhão, o carregamos e deixaremos no meio do bosque a 200 quilômetros, coisa que custará um pouco para voltar”, com clara intenção de incitar seus militantes a realizar ações contra os centros de refugiados e imigrantes.

Com estas palavras, banhadas a xenofobia, cinismo e reacionarismo, Salvini voltou a incitar seus simpatizantes. Para dar um tom ainda mais provocador a suas declarações, se vestiu com o uniforme da polícia. Este discurso gerou polêmicas e até o sindicato de policiais de Génova teve que se diferenciar, assinalando o discurso como gravíssimo.

Estas declarações não surpreendem quem conhece a história da Liga Norte e os discursos de Salvini, mas servem para ilustrar parte da vida política da Itália, onde a extrema direita busca posicionar-se como ator político de peso. O cenário político italiano se encontra atravessado pelo debate em tordo no Referendo Constitucional impulsionado por Renzi que definirá a agenda política dos próximos meses, e cujas bases econômicas são preocupantes com a crise financeira e bancária, que a alguns dias atrás anunciaram índices frios na economia com um crescimento de 0% no Produto Interno Bruto entre abril e julho, além da queda dos índices da indústria de 1% em um ano, e o freio das exportações.




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