Política

Diretora nomeada por Doria é pega em áudio sobre o recebimento de propina na PPP da Iluminação

A CBN teve acesso à gravação de uma conversa entre a diretora do Departamento de Iluminação da Prefeitura de São Paulo, Denise Abreu, e uma secretária dela. O áudio indica que Denise recebia propina para favorecer o consórcio FM Rodrigues, que venceu a disputa, e prejudicar o concorrente, o consórcio Walks. A PPP da Iluminação era um contrato de R$ 7 bilhões. O caso é revelador dos princípios da administração Dória, beneficiar suas empresas parceiras.

quarta-feira 21 de março| Edição do dia

A diretora do Departamento de Iluminação da Prefeitura de São Paulo (Ilume), Denise Abreu, foi exonerada nesta quarta-feira (21) após o vazamento de uma gravação revelar que ela recebia propina do consórcio FM Rodrigues, vencedor da licitação da PPP (Parceria Público-Privada) da Iluminação Pública. Esse é o consórcio que já fazia a manutenção da iluminação da cidade através de um contrato emergencial com a Prefeitura.

A PPP da Iluminação é um contrato de R$ 7 bilhões, vencido pelo consórcio FM Rodrigues com custo de R$ 30 milhões por mês, contra a proposta do consórcio Walks de R$ 23 milhões - desclassificados segundo a prefeitura pelo envolvimento de uma das quatro empresas que compõem o consórcio em investigações da Lava Jato.

Denise também acusa os secretários Marcos Penido (Serviços e Obras) e Julio Semeghini (Governo) de receberem propina da Eletropaulo. Na gravação, ela diz que “tudo mundo sabe que eles levam uma ’bola’ da Eletropaulo."

No áudio, revelado pela rádio CBN, Denise Abreu conversa com sua secretaria em seu gabinete em dezembro do ano passado. Na conversa, Denise diz que irá realizar o último pagamento à secretaria no valor de R$ 3 mil referente ao mês de novembro. Segundo ela, o dinheiro foi repassado pela FM Rodrigues que deixaria de pagar o valor porque teria os contratos encerrados com a Prefeitura. A “mesada” da empresa seria paga em troca de favorecimento.

Confira a transcrição do áudio abaixo:

DENISE ABREU - Eu vou te dar os seus três (R$ 3 mil)... Mas a empresa (FM Rodrigues) não tem mais contrato e eu não vou ter como arcar daqui pra frente com isso. É o último mês. Simplesmente não tem como.

SECRETÁRIA - Nem em dezembro?

DENISE ABREU - Tô te dando agora.

SECRETÁRIA - Então, [o pagamento] que era de novembro?

DENISE ABREU - Não tem como [pagar em dezembro]. Você não tá vendo os movimentos? E ninguém faz nada, querida. Entendeu?

SECRETÁRIA - Uhum

DENISE ABREU - É um escândalo o que tá acontecendo em São Paulo e não tem um jornalista para empurrar isso. Então, querida, dançou. Não tem mais PPP, não tem mais nada, pode esquecer. Não tem fonte. Não tem fonte.

SECRETÁRIA - Tá bom, doutora. Tudo bem.

Denise Abreu ficou conhecida na época do caos aéreo, quando era diretora da Anac. Ela foi pré-candidata à Prefeitura de São Paulo pelo Partido da Mulher Brasileira, mas abandonou a disputa para apoiar João Doria. Em troca, ganhou o cargo de diretora do Ilume.

Em outro trecho, ela reclama que ninguém na prefeitura defende a FM Rodrigues. Se queixa também de reportagens na imprensa que, na visão dela, são negativas ao consórcio.

"Não há como. A empresa não vai continuar aqui. Não vai por conta dessa palhaçada. Acabou de protocolar, a FM Rodrigues, a saída dela. Ninguém quer defender a FM Rodrigues é porque ninguém tá precisando, né? Eu não tô culpando ninguém. Só estou te dando uma satisfação. Eu tenho como [te fazer os pagamentos] porque chegou nesse ponto e eu não tenho ninguém que faça o contraponto. Vai acabar o contrato mesmo porque eu não tenho ninguém pra fazer o contraponto."

Capitalismo de compadrio

Não é a primeira vez que a gestão de Doria se vê envolvida em algum tipo de escândalo relacionado a tentativa de beneficiamento por parte de seus nomeados -
outro caso foi quando vazaram áudios em que um de seus funcionários fornecia orientações à empresa Ambev para que ela ganhasse a licitação do Carnaval (relembre o caso aqui). Doria que apesar de negar o rótulo de político fez fortuna como lobista de diversos grupos empresarias, reunidos sob o grupo LIDE. O prefeito recebe mais um golpe enquanto às vesperas de deixar a administração da cidade para se focar em sua candidatura a governador, e também enquanto batalha, de forma violenta inclusive, para impor sob os professores e demais servidores municipais seu projeto de reforma da previdência, o SAMPAPREV.




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