Política

ELEIÇÕES 2018

Diretor da PF assume que preparou invasão do Sindicato dos Metalúrgicos para prender Lula

Mais uma declaração escandalosa por parte dos agentes envolvidos com a operação Lava-Jato, que mostra a predisposição para tomar medidas autoritárias para garantir controle sobre essas eleições

segunda-feira 13 de agosto| Edição do dia

O diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, assumiu que 30 policiais estavam a postos para forçar a saída de Lula do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, em meio a negociações, no dia de sua prisão.

Nesse mesmo fim de semana, o desembargador Gilbran Neto, do TRF-4, assumiu ter ignorado a “letra da lei” para manter Lula preso, no episódio da briga dominical de despachos contra a decisão do plantonista Rogério Favretto de soltá-lo.

Ambas as declarações fazem explícitas as intenções colocadas nesse momento por parte dos distintos órgãos do Judiciário envolvidos na Lava-Jato de ditar os rumos dessas eleições. Mesmo que Lula havia discursado pela sua rendição, garantiram que se quisessem teriam invadido o recinto. Meses depois, moveram o tabuleiro para impedir que Lula fosse solto, pressuposto para barra-lo até mesmo dos debates. Palavras que admitem a fraude dessas eleições.

Com o ex-presidente fora da disputa, facilitam as chances de um candidato que dê continuidade ao governo Temer, tal como Alckmin se propõe diretamente, vença e possa aprofundar ainda mais os ajustes iniciados pelo PT no segundo mandato da Dilma. A Lava-Jato atuou para ditar os passos dessas eleições, de modo a certificar-se que vencesse alguém ainda mais alinhado aos desejos do imperialismo que Lula.

Desde o princípio a operação se valeu de vazamentos seletivos, delações premiadas condenatórias, e uma série de mecanismos arbitrários, se valendo de um discurso “anti-corrupção” para decidir quem poderia participar do pleito. Uma verdadeira ingerência sobre o direito da população decidir em quem votar, fosse em Lula se assim quisesse.

Marcello Pablito, trabalhador do restaurante universitário da USP, militante da agrupação de negras e negros Quilombo Vermelho, pré-candidato a deputado estadual pelo MRT em São Paulo, disse que "A Lava Jato e o resto do poder judiciário está atuando pra escolher a dedo um presidente que continue o golpismo e seja capaz de descarregar de forma redobrada a crise nas costas dos trabalhadores e do povo com mais desemprego, mais trabalho precário e mais cortes dos direitos sociais. Para tal buscam legitimar de forma cada vez mais indiscriminada medidas autoritárias que violam os princípios democráticos mais elementares como o direito de defesa e o direito ao voto. Nós não apoiamos o voto em nenhum dos candidatos do PT; queremos superar pela esquerda a tragédia da conciliação de classes petista, com um programa de independência de classe e anti-imperialista. Mas somos incondicionalmente contra a prisão arbitrária de Lula e somos intransigentes na defesa do direito do povo votar em quem quiser. Todos os partidos que se dizem de esquerda deveriam ter esse como um dos seus eixos políticos na campanha eleitoral, como forma de denunciar o caráter proscritivo dessas eleições."




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