Opinião

TRIBUNA ABERTA

Direção majoritária do PSOL se posiciona contra golpe institucional e se diferencia de Luciana Genro

Reproduzimos Nota da Executiva Nacional do PSOL e de dirigentes do PSOL que são contrários à posição de Luciana Genro, que não se posiciona contra o golpismo institucional

quinta-feira 31 de março de 2016| Edição do dia

Reproduzimos estes posicionamentos políticos do setor majoritário do PSOL como parte da TRIBUNA ABERTA, que inauguramos hoje no Esquerda Diário. Como explicamos nesse artigo, na TRIBUNA ABERTA publicamos posições de outros setores que se reivindica oposição ao governo do PT pela esquerda, mas não expressam as posições do MRT, ainda que possa haver coincidência em determinadas questões, como no caso a importância de posicionar-se contra qualquer tipo de golpe institucional.

Nota da Executiva Nacional e da bancada do PSOL

Face à velocidade dos últimos acontecimentos e a radicalização da crise política, tomamos um posicionamento firme e sem meias palavras:

1 - Somos oposição programática e de esquerda ao governo Dilma. Combatemos suas políticas regressivas e questionamos as concessões feitas ao grande capital. Diante da atual crise, do ajuste fiscal e da retirada de direitos, é inegável que este governo tem se afastado dos reais anseios da maioria da população.

2 - Somos favoráveis a toda e qualquer investigação, desde que respeitado o Estado Democrático de Direito, sem seletividade ou interferências externas. É preciso que se desvendem as relações promíscuas entre os poderes da República e o grande empresariado.

3 - As últimas atitudes do juiz Sérgio Moro representam claro uso político da Justiça e comprometem o trabalho desenvolvido pela Operação Lava Jato. Atitudes que possuem objetivos midiáticos rompem regras democráticas básicas e favorecem a estratégia de um golpe institucional.

4 - Somos contra a saída gestada pelos partidos da oposição conservadora, pelo grande capital e pelos grandes meios de comunicação. O impeachment, instrumento que só pode ser usado com crime de responsabilidade comprovado, se tornou uma saída para negar o resultado das urnas, com o propósito de retirar a presidenta Dilma do poder, buscando um “acordão” para salvar outros citados nas investigações da Lava Jato. A troca de governo acelerará os ajustes pretendidos pelos poderosos, retirando direitos dos trabalhadores e atingindo nossa soberania.

5 - A saída é pela esquerda. É necessário promover uma reforma política profunda, com ampla participação popular, ter coragem de mudar radicalmente os rumos da economia, auditar a dívida pública, priorizar o consumo e a produção, taxar as grandes fortunas e baixar a taxa de juros de forma consistente. Propostas não faltam. Mas é preciso coragem para contrariar interesses do grande capital.

Executiva Nacional do PSOL e bancada na Câmara dos Deputados
Brasília, 29 de março de 2016.

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SOBRE A ENTREVISTA DE LUCIANA GENRO

Como todos sabem, não costumo expor neste espaço divergências internas do PSOL. Mas quando uma liderança da estatura de Luciana Genro, nossa candidata à Presidência da República nas eleições de 2014, busca as páginas da Folha de S.Paulo para expor suas posições – minoritárias no interior do PSOL – não resta outro recurso senão registrar a posição oficial do partido:

1. Neste momento o PSOL e sua bancada têm todos os seus esforços concentrados na luta contra o retrocesso representado pelo impeachment liderado por Eduardo Cunha e pelas forças conservadoras, já que não há crime de responsabilidade comprovado. Portanto, considero equivocado estimular neste momento quaisquer saídas que representem uma defesa disfarçada da queda do governo, como antecipação das eleições ou referendo revogatório sem uma ampla e profunda reforma política.

2. Diferente de Luciana, o PSOL não defende que "a melhor saída seria nem Dilma, nem Temer, nem Cunha, nem Renan". A posição de nosso partido e nossa bancada é favorável ao cumprimento do mandato constitucional da presidente e em favor de uma saída à esquerda para a crise econômica, contra o ajuste fiscal e a retirada de direitos. A saída que tem sido acordada entre as elites busca viabilizar Michel Temer como presidente. Por isso a proposta de eleições antecipadas, cuja principal defensora é hoje Marina Silva, é hoje uma espécie de "Fora Dilma" envergonhado.

3. Considero equivocado caracterizar a mobilização de amplos setores democráticos contra a utilização do impeachment como instrumento para derrubar um governo legítimo, ao qual nos opomos como força política independente, como produto do “medo” estimulado pelo PT ou pelo governo. A mobilização destes setores sociais é uma resposta aos abusos cometidos por parte do Judiciário, pelas entidades patronais, pela mídia monopolista e pelo Congresso Nacional.

4. Diferente de Luciana, considero que há sérios riscos ao Estado Democrático de Direito e às liberdades individuais, como demonstrado pelas manifestações de ódio contra pessoas que usam vermelho, agressões contra manifestantes contrários ao impeachment e outras ações de caráter proto-fascista. Como visto recentemente em países como Honduras e Paraguai, golpes institucionais são seguidos por severas restrições às liberdades democráticas.

5. Considero que a Lava Jato precisa ter continuidade e ser aprofundada. O PSOL combate a corrupção e exige ampla investigação das denúncias que têm surgido. No entanto, não aceitamos abusos e violações ao Estado Democrático de Direito que comprometam as investigações, como as que têm sido perpetradas pelo juiz Sérgio Moro.

Seguiremos debatendo os desdobramentos da crise política. As instâncias partidárias estão em pleno funcionamento e as divergências serão muito bem-vindas. Mas quando elas extrapolarem o debate fraterno para se converterem em disputa pública de posições, serei o primeiro a questiona-las publicamente.

Juliano Medeiros
Presidente da Fundação Lauro Campos
Executiva Nacional do PSOL




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