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ENTREGUISMO

Direção da Embraer muda o discurso e agora admite demissões com a venda para Boeing

O sindicato que organiza trabalhadores da Embraer denuncia que após reunião ocorrida com a direção da empresa, a perspectiva de demissões em massa está cada vez mais próxima, ficando claro o real plano dos entreguistas brasileiros e dos novos compradores da Boeing, os representantes do grande capital imperialista americano.

segunda-feira 16 de julho| Edição do dia

Embora governo, grande imprensa e a direção da Embraer tentem vender a entrega da empresa como uma “fusão”, fica claro que o que está por trás da falácia é um projeto de controle total da Embraer por parte da Boeing, que ditará os rumos e absorverá a fatia lucrativa, tornando a dita “nova empresa”, como uma espécie de subsidiária da Boeing, engolindo e decretando a morte da Embraer. Para isso, tanto os acionistas, quanto o governo brasileiro – com poder de veto do negócio – há meses tentam “enxugar” uma das maiores empresas do país para torna-la atrativa e mais barata para que a venda fosse agilizada – Embraer vendeu 80% da sua divisão de aviação comercial por cerca de R$ 15 bilhões, valor considerado pífio, se considerado o potencial total da marca e estrutura.

Outra mentira que é desmascarada é a da manutenção dos postos de trabalho com o futuro negócio. Para inibir uma radicalização dos trabalhadores com este projeto entreguista, diretoria da empresa e governo chegaram a declarar que os empregos no Brasil seriam mantidos garantidos, declaração que, apenas dias depois, já foi revista, segundo denúncia do sindicato. Embora a atual presidência da Embraer não tenha dado detalhes do processo, se PDV (plano de demissões voluntárias) ou demissões em massa, retrocedeu e afirmou que ’não podia garantir’ a manutenção dos empregos.

Embora o sindicato coloque a possibilidade de greve contra as demissões que já começaram, infelizmente não tem ocorrido mobilizações contundentes contra a entrega da empresa e até mesmo uma forte greve, ainda apenas colocada em perspectiva futura, mostra que o sindicato ainda não está respondendo a altura contra perigo deste ataque sem proporções contra os trabalhadores. Vale lembrar que a Embraer já demitiu cerca de 4,2 mil empregados há cinco meses (ou 20% do trabalhadores).

É necessário que as grandes centrais sindicais como CUT e CTB larguem seu imobilismo criminoso e encampem com todas as suas forças, desde já, uma campanha de unidade operária convocando diversas categorias - como aeroviários, aeronautas e metalúrgicos, nacionalmente - contra a venda da Embraer e em defesa dos empregos dos trabalhadores. A Conlutas, que dirige o sindicato dos metalúrgicos de SJC, que organiza os trabalhadores da Embraer, por sua vez, deve impor ações mais contundentes e avançar na mobilização e no chamado a unidade das fileiras dos trabalhadores para ampliar a luta por uma forte greve com caráter urgente.




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