Política

CRISE POLÍTICA

Dilma prepara carta aos Senadores prometendo plebiscito para convocação de novas eleições e reforma política

A carta já foi reformulada algumas vezes, o que demonstra a importância desta para a presidente afastada. O conteúdo central do texto revelado até agora é a proposta de um plebiscito para a realização de novas eleições e uma “reforma política”. Rui Falcão, presidente do PT, declarou ser contra a proposta de antecipação das eleições.

Ítalo Gimenes

Coordenador do CACH - Unicamp

sábado 6 de agosto| Edição do dia

O jornal Folha de São Paulo se encontrou com Dilma no Palácio da Alvorada, na manhã desta quinta-feira (5), onde ela revelou trechos da carta e respondeu a perguntas dos jornalistas.

Falou sobre a necessidade do PT fazer uma “autocrítica partidária” e que terá que passar por uma “grande transformação”. Entende por isso que o PT precisa “reconhecer os erros do ponto de vista ético e do uso de verbas públicas”, ressaltando que essas falhas foram realizadas por algumas pessoas, na tentativa de passar um pano para a responsabilidade do seu partido em fazer a escolha consciente de se adaptar aos métodos da “política institucional”, de alianças com a direita e uso indevido de dinheiro público.

Reconheceu também o “erro” de seu governo “achar que seria possível fazer um ajuste fiscal rápido”, responsabilizando a crise política pela impossibilidade disso ter sido feito: “Eles inventaram as pautas-bomba”. E quando perguntada se prometeria em sua carta manter Henrique Meirelles em seu cargo de Ministro da Fazenda, onde orquestra os ataques do governo golpista à população, como corte de gastos nos serviços públicos, privatizações e aumento de impostos, Dilma tergiversou. A presidente afastada já havia sinalizado apoio à equipe econômica de Temer, na tentativa de atrair o voto do senador Cristovam Buarque (PPS-DF).

Presidente do PT sinaliza desacordo com proposta de novas eleições, mas concorda em não enfrentar o golpe

“Nós queremos vencer no Senado e na história. A carta dá um caminho de uma transição, de uma saída para o país”. Assim, Dilma explicita mais uma vez a lógica petista de “combate ao golpe”, que significa não combater nada para “convencer” primeiro os deputados e agora os senadores a votarem favoráveis ao seu mandato. E como quer convencer? Concilia com eles, com a direita, um pacto por novas eleições para que não tenham mais que lidar com Temer, cuja legitimidade é contestada constantemente, e possam ter um governo “legitimado pelas urnas” para passar os ataques mais livremente, sem o ônus político de instabilizar o regime. Somado a isso, contém as massas que contestam o golpe através das suas centrais sindicais burocratizadas, garantindo a paz para os ataques.

Nesse segundo ponto, Rui Falcão tem acordo. Apesar de afirmar que não declara apoio à proposta de novas eleições, o presidente do PT não abre a boca para dizer qualquer coisa a respeito de um enfrentamento ao golpe. Isso porque o PT aceitou o golpe. E a proposta de Dilma não foge disso, pois eleições gerais nesse contexto nada mais é do que consolidar o golpe através de uma nova figura, legitimada pelo voto, para aplicar os ataques. Não poderia ser diferente, pois o enfrentamento ao golpe através das massas nas ruas organizadas democraticamente em assembleias nos locais de estudo e trabalho, coisa que a CUT e a CTB são capazes de fazer, significaria o PT se enfrentar com uma política de ajustes fiscais a qual defende, como bem declarou Dilma nessa entrevista.




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