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Dilma e a Frente Ampla no Uruguai

O PT ve com bons olhos “o modelo uruguaio”. Querem copiar o tipo de governabilidade através de frentes amplas. A frente ampla e realmente um modelo a seguir no Brasil? Qual a saída que necessita o povo brasileiro frente a crise em curso?

sexta-feira 4 de novembro| Edição do dia

O Partido dos Trabalhadores esta vivendo um processo de deterioração de sua credibilidade política e de ruptura com sua histórica base social como nunca antes visto. Não somente não conseguiu concretizar as aspirações de milhões de trabalhadores através do seu governo, mas também se ligou com setores dos partidos burgueses reacionários para governas, sem contar os escândalos de corrupção em que esteve envolvido.
Nas ultimas eleições de prefeito e vereador o PT obteve uma quantia infima de votos, o que demonstra a debacle de um modelo de governar e de um projeto político que propôs ser um ponto dos governos progressistas da região.

No Brasil, setores do destituído PT ja começam a ver outros projetos de partidos para tomar como modelo e assim recuperar algo do prestigio dilapidado em todos esses anos. A frente ampla uruguaia poderia ser esse modelo. Mas o que necessita o Brasil?

O que e a Frente Ampla?

A Frente Ampla se propôs aglutinas atras de si setores importantes de trabalhadores, organizadas nos distintos movimentos sociais (por exemplo o cooperativista), captou a atenção do movimento estudantil e de importantes referencias da intelectualidade progressista uruguaia. Foi todo esse “capital político” que a levou ao poder mostrando-se como uma alternativa aos desgastados partidos tradicionais que historicamente tinham governado a favor dos empresários dos bancos e do capital imperialista.

Mas a Frente Ampla e uma coalizão de partidos em que podemos ver pessoas como Danilo Astori, fiel representante dos interesses dos Estados Unidos no pais e na região, junto ao Partido Comunista do Uruguai (PCU) que diz representar os trabalhadores e movimento sindical. Mas esses interesses- do imperialismo norte americano e das multinacionais e dos empresários associados a esta por um lado, e dos trabalhadores e do povo por outro- não podem conciliar-se porque são justamente antagônicos, não ha harmonia possível entre eles. Portanto, sempre um se impõe sobre o outro. Sao os interesses dos setores econômicos mais poderosos os que terminam marcando o rumo e os alinhamentos mais importantes que esta caracterizada a política da Frente Ampla em todos esses anos, ainda que com algumas contradições.

Por isso podemos definir que a Frente Ampla e uma frente de conciliação de classes, que leva a classe trabalhadora a confiar que uma aliança com setores burgueses pode conquistar as demandas operarias e populares. Gera assim ilusões nessa frente, minando a independência política dos movimentos sociais, em especial dos trabalhadores organizados.

Como governa a Frente Ampla?

Baseando-se num momento excepcional a nível econômico que permitiu um ingresso importante de divisas baseado no modelo de primarizacao da economia (modelo agro exportador), hoje a Frente Ampla tenta contornar a nova situação econômica mundial marcada pela crise onde o modelo ja não vai mais. Frente a essa nova situação, ao invés de assegurar o emprego impedindo as demissões e fechamentos de fabrica, em vez de proibir a fuga de capitais, em vez de controlar os preços dos produtos de primeira necessidade, em vez de deixar de pagar a divida externa para investir na saúde e educação, a Frente Ampla decide governar legislando a favor dos interesses dos mais poderosos: brindando cada vez mais subsídios e exonerações as multinacionais, impede nas mesas de negociações demandas a favor dos trabalhadores, retira orçamento da educação, posterga as demandas de moradia, permite a flexibilizacao da mao de obra, habilita o ingresso de capitais privados na saúde e na educação como faz através das PPPs no Hospital de Clinicas, e um largo etc.

Quer dizer, a Frente Ampla hoje por hoje vem realizando uma política de ajuste no plano estatal e regulando que no plano privado as pautas salariais tenham queda para que não motivem outros trabalhadores a lutar e para que não impactem nas outras negociações salariais. A Frente Ampla hoje administra o Estado Burgues sem questionar seu carater de classe, sem se propor nem a uma mínima mudança que va no sentido de priorizar os interesses dos trabalhadores e do povo pobre. Mais ainda, pretende que a crise capitalista seja paga pelo empobrecimento das famílias trabalhadoras que são condenadas a miséria e a desocupação, Ao invés de ajustar os capitalistas que durante todos esses anos se enriqueceram, ajustam o povo trabalhador.

Qual seria uma verdadeira alternativa?

A alternativa tanto no Uruguai como no Brasil segue sendo que os trabalhadores que lutam pelo seu salário, os estudantes organizados em defesa da educação publica, as mulheres que enfrentam os feminicidios e a juventude pobre que vive marginalizada e estigmatizada podem construir seu próprio partido que sustente a independência política não somente dos partidos do regime mas também de todo interesse contrario a dos trabalhadores. Não ha aliança possível com setores que não questionam a esse sistema pela raiz.

Dilma e Tabare (governo da Frente Ampla) ajustaram o povo em pro dos interesses dos mais poderosos. Ha que contrapor esse modelo pela conformação de partidos operários com independência política que resista ao abanco da direita a nível continental, que lutem para que a crise seja paga pelos capitalistas, que lutem por um governo dos trabalhadores e do povo pobre e que se proponha a unidade socialista dos povos da America Latina.




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