Política

Diana Assunção: "Uma nova Constituinte seria um passo para erguer a classe trabalhadora como sujeito político na situação"

sexta-feira 25 de novembro| Edição do dia

O Secretário de Governo golpista, Geddel Vieira Lima, pediu demissão depois da denúncia de que ele e Temer pressionaram o ex-Ministro da Cultura, Marcelo Calero, a encontrar uma solução para uma obra de interesse de Geddel, que estava paralisada por agredir o patrimônio histórico da cidade de Salvador. É o sexto ministro caído, num gabinete repleto de corruptos (Geddel articulava a PEC do teto de gastos, enquanto ganhava um salário que estourava de longe o teto constitucional).

Temer está implicado diretamente na denúncia, e por isso a imprensa golpista desconversa, enquanto o tucano Calero é repreendido por Aécio Neves do PSDB, que quer “investigar a denúncia”. Um abalo de proporções levado adiante pela Lava Jato: para combater a corrupção? Longe disso. O objetivo de Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato é “limpar” e “renovar” o regime político dos ricos para dar mais legitimidade à implementação de ataques ainda mais duros, ou diretamente implementar esses ataques com a própria toga (como no caso da reforma trabalhista). Basta ver que o Ministério Público Federal está consolidando um pacto de impunidade com a Câmara dos Deputados, permitindo a anistia ao caixa 2 “desde que não envolva crimes correlatos”. Um escândalo de corrupção aceito pelo Judiciário, que prova que busca apenas substituir um esquema de corrupção com a cara petista por um esquema com o rosto da direita (em função disso é que avançaram sobre alguns políticos reacionários, como os ex-governadores do PMDB carioca, Garotinho e Sérgio Cabral).

Com a piora da economia, os efeitos negativos da eleição de Trump e a demora na implementação das reacionárias contrarreformas que os parlamentares vinham votando como podiam, tornou-se mais profunda a identificação do empresariado com o rápido avanço da Lava Jato. É um instrumento autoritário de sua classe. Já nós trabalhadores, mulheres e jovens não temos nada a ganhar com o fortalecimento do autoritarismo do Judiciário e da pró-imperialista Lava Jato.

Inacreditável como, em meio à clara ligação da Lava Jato com os interesses da direita e da patronal, certa “esquerda” considera que para acabar com a corrupção é necessário que Moro “vá até o final” no plano autoritário. Para enfrentar o governo golpista e não trabalhar para o retorno do PT com seu projeto fracassado de conciliação de classes, é preciso buscar uma saída independente. A organização da resistência nas lutas, com exigência às burocracias sindicais, deve estar ligada com uma saída política independente: uma nova Constituinte, Livre e Soberana, imposta pela luta e que coloque abaixo a Constituinte de 1988 tutelada pelos militares. Ela já está sendo modificada pelos golpistas contra os trabalhadores.

Uma nova Constituinte seria um passo para erguer a classe trabalhadora como sujeito político independente na situação, acabando com todos os acordos econômicos fraudulentos e pondo fim à dívida externa ilegítima, questionando os privilégios dos políticos e juízes, como passo para questionar todo o regime político burguês, sobre o qual só se poderia avançar com um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo.




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