Sociedade

ELEIÇÕES PARA O CENTRO ACADÊMICO DA LETRAS

Diálogo sobre o tema de saúde mental e permanência para o CAELL 2018

Esse texto pretende ser um diálogo crítico com duas propostas apresentadas no último debate para as eleições do centro acadêmico da Letras. Estavam presentes as chapas Viramundo (PT, Balaio, Levante Popular da Juventude e independentes), Embarca na Luta (PSTU e independentes), Novos Ares (PCB, PSOL) e Outra Margem (Faísca Anticapitalista e Revolucionária e independentes), esta última chapa que sou integrante.

quarta-feira 15 de novembro| Edição do dia

O primeiro ponto a abordar foi a questão tão falada pela chapas Viramundo e Novos Ares: Saúde Mental. É certo que o ambiente acadêmico é hostil a grande parte da manifestação do livre pensar, e isso acaba por cercear muitos dos jovens ávidos por construírem ideias. Por exemplo, no curso de Letras são raríssimos os cursos que estimulam a produção de literatura como contos, novelas, poemas, etc. o que seria de grande valor para a construção da subjetividade coletiva no curso.

Além disso, não temos em nosso currículo a necessidade de estudar literatura feminina, literatura negra, indígena, bem como temos o nosso currículo restrito ao programa do curso com poucos créditos reservados a outras faculdades mesmo dentro da FFLCH. Tudo isso restringe a nossa formação e poda a construção do nosso conhecimento. Automaticamente adoecemos, pois não há bolsas dignas (hoje elas são de R$400) que permitam que os estudantes deixem de trabalhar para se dedicarem, ao menos no período de sua formação, plenamente aos estudos.

Essa é a realidade. Muitos estudantes da Letras trabalham, seja durante a manhã ou às tardes, ou até mesmo noites, o que impede a participação dos estudantes na vida da universidade fazendo com que assembleias que são o espaço máximo de deliberação do movimento estudantil, e onde se tem a maior oportunidade de debate amplo, onde todas as posições são colocadas e disputadas, sejam esvaziadas. Sutilmente o sistema que vai desde a realidade concreta da vida, até a estrutura da sociedade impede que sejamos sujeitos das nossas próprias ações.

Como não adoecer? Como zelar pela saúde mental dos estudantes? O primeiro passo é apoiar irrestritamente e lutar lado a lado aos estudantes da medicina e da enfermagem, que estão em greve travando uma luta pelo Hospital Universitário. Mapear os problemas que afligem nossa saúde mental é preciso, porém é preciso ir por mais, é preciso lutar contra a superestrutura do capitalismo que nos machuca.

A reitoria expressa o pior da nossa sociedade, e esses conservadores junto com instituições como a igreja e o estado, que atuam junto com os governos e na nossa história atual, junto com o judiciário reacionário, querem curar a nossa sexualidade, querem a morte de negros e indígenas pela ação do exército e da polícia nas favelas do Rio de Janeiro e querem que os índices de suicídio entre os indígenas continuem a ser um dos mais altos, por meio do agronegócio apoiado por Kátia Abreu, ex-ministra do governo Dilma Roussef.

Lutar por saúde mental é lutar por medidas concretas que universalizem a saúde, mas principalmente pela transformação radical da sociedade, para que todos os seres possam se desenvolver plenamente e não precisem adoecer por depressão, surtos psicóticos e demais mazelas da pós-modernidade.

Todos os elementos apresentados nos levam a um segundo ponto que é o de permanência. É necessário que o centro acadêmico organize os estudantes, por meio de reuniões abertas, assembleias periódicas para que os estudantes possam decidir sobre seus currículos com todos os pontos que já foram colocados anteriormente. Por mais bandejões e moradia para toda a demanda sob contratação de funcionários para que não haja sobrecarga de trabalho.

Não queremos a miséria de poucas doações, pois essa medida é insuficiente e atende pouquíssimos estudantes. Queremos auxílio-livro para todos que precisem. Também não queremos reduzir a miséria do capitalismo acabando com a fome sem alterar radicalmente a sociedade de classes. Queremos que a fome entre para a história da humanidade como sua pré-história, e isso internacionalmente.

Nesse sentido a permanência está intimamente ligada a questão de saúde mental, pois sem condições materiais é impossível conseguir viver a vida plenamente. Que sejamos responsáveis com o debate de permanência, porque dele depende a vida material dos estudantes e sua possibilidade de levar o curso até o final, e sem adoecer devido à preocupações de cunho objetivo. Por moradia no CRUSP para toda a demanda!

Por um CAELL que ao organizar os estudantes paute suas necessidade imediatas, mas também corte o mal pela raiz sendo o suporte que os estudantes precisam para serem sujeitos do seu curso, e também possam exercer a vida política que nos mantém firmes para superar as mazelas da estrutura da universidade, que reflete o capitalismo.




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