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Dezenas de professores participam de jantar em defesa da creche oeste

Mais de trinta professores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) participaram do jantar beneficente organizado pela Associação dos Docentes da USP (ADUSP) em parceria com o “Movimento Ocupação Creche Aberta” dentro do espaço da Creche Oeste.

quarta-feira 15 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Representantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP), do Diretório Central dos Estudantes (DCE), do Centro Acadêmico da Faculdade de Educação (CAPPF), do Núcleo de Consciência Negra (NCN) e o Deputado Estadual pelo PSOL, Carlos Gianazzi, dividiram um maravilhoso jantar com as famílias das creches, mães da demanda e educadoras das creches oeste, saúde e central.

Essa atividade é parte de um calendário de ações que o “Movimento Ocupação Creche Aberta” tem organizado para manter e ampliar a rede de apoios que tem recebido desde o início da ocupação há um mês, em 17/01/17. De lá pra cá, a Reitoria se negou três vezes a receber representantes do movimento e das entidades representativas das três categorias da USP, incluindo uma Comissão com a ex-Diretora da Faculdade de Educação, Profª Lisete Arelaro, e o Deputado Federal pelo PSOL, Ivan Valente.

Além disso, a Reitoria entrou pela via do seu Departamento Jurídico com um recurso contra a decisão do Ministério Público favorável a liminar que solicita a manutenção da Creche Oeste aberta e funcionando. Esta cada vez mais evidente que não se trata de uma readequação de espaço que favoreça as crianças, as mães e o cumprimento da decisão do Conselho Universitário de novembro de 2016 de que todas as vagas ociosas das creches sejam preenchidas. O fechamento das Creches da USP se trata de uma posição ideológica e decisão política do atual Reitor em eliminar as atividades que ele considerada não serem parte da finalidade da Universidade de São Paulo.

Mesmo as Creches da USP sendo um modelo nacional de educação básica e infantil, tendo recebido inúmeros prêmios e altas avaliações e sendo fonte de estágio, extensão e pesquisa para centenas de estudantes da USP e de outras instituições, a ideologia do Reitor fala mais alto e ele se nega a enxergar nas Creches mais do que um simples depósito de crianças.

Antes do jantar houve duas intervenções artísticas, incluindo uma interpretação de “Odê ao Burguês” de Mario de Andrade. A maior parte da comida foi feita com alimentos colhidos dentro da própria Universidade e outros doados para a Ocupação. Ainda enquanto aguardavam o prato principal os participantes do jantar foram surpreendidos com a entrada de pasteizinhos de jaca verde e pão integral com molhos variados. O prato principal de jaca verde ao leite de coco e azeite de dendê servido dentro da moranga foi acompanhado com ragu e risoto com tomate seco na manteiga. Ao final, um delicioso sorvete de banana e jamelão com calda de jambinho e hibisco, além de chess-cake com variadas caldas e geléias, foi servido como sobremesa.

Ao ser perguntado sobre a avaliação do dia de hoje, D., estudante da letras e cozinheiro da ocupação foi enfático “o evento foi o máximo! Na medida em que você junta membros de diversos grupos da nossa comunidade USPiana em torno de um objetivo comum – nesse caso, simbolicamente representado por um jantar – em que todos colocaram energia nesse jantar e as pessoas que vieram aqui, os professores, gostaram da comida, isso gera uma sensação de empoderamento de todos pra poder continuar resistindo na luta contra o desmonte da USP. E quando a Reitoria perceber que essa união já aconteceu vai ser tarde pra eles, porque juntos assim, podendo ter espaços onde a gente pode trocar ideias, onde a gente pode se reorganizar, a gente vai ser uma resistência muito mais efetiva contra o autoritarismo desse Reitor.”

O valor arrecadado pelo jantar beneficente será utilizado em melhorias da Creche Oeste – já que a Reitoria vinha tratando com desleixo as necessidades de reparos e manutenção permanente do espaço – e pra fortalecer as atividades do Movimento.




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