Dezenas de milhares de pessoas se mobilizaram na França ao lado de trabalhadores da saúde

Os trabalhadores da saúde se mobilizaram aos milhares em 16 de junho, após várias semanas de preparação e em meio a mobilizações contra a violência policial. Na mobilização se uniram vários setores em luta - uma grande ameaça para o governo – e foi brutalmente reprimida.

quarta-feira 17 de junho| Edição do dia

Após três meses de crise na saúde, a equipe do hospital se mobilizou para exigir recursos de saúde.

Depois uma série de manifestações, convocadas desde 11 de maio, uma mobilização nacional foi convocada na terça-feira, 16 de junho. Para além da presença de trabalhadores dos hospitais, como médicos, enfermeiros, maqueiros, etc., os trabalhadores contaram com a participação de uma população que os aplaudiu todas as tardes às 20h. Apoio que precisava ser feito na rua. Uma multidão apoiou as demandas dos trabalhadores da saúde nas ruas de Paris.

A pandemia expôs o abandono das políticas liberais nos últimos anos. Décadas de cortes no orçamento e economia de saúde levaram a situações terríveis: escassez de máscaras e medicamentos, pessoal insuficiente, falta de leitos e salários congelados por dez anos.

Macron e seu governo, durante meses, aumentou tributos e elogios aos funcionários do hospital. Os "heróis" de ontem foram encontrados em Paris na terça-feira com gás lacrimogêneo e repressão. Os profissionais da saúde parece menos heroicos para o governo Macron quando exigem recursos, lutam e denuncia em voz alta seu gerenciamento criminal desse governo.

Em diferentes cidades da França, milhares foram às ruas - enfermeiras, parteiras, médicos de emergência e outros profissionais de saúde. Manifestações com mulheres, trabalhadores precários e trabalhadores da linha de frente durante a epidemia exigiram "dinheiro, dinheiro, para o hospital público".

Suas demandas são claras: aumento imediato dos salários de pelo menos 300 euros, aumento considerável do orçamento destinado à saúde, mais recursos, contratação, fim de contratos precários e contra cortes no orçamento da saúde. "O governo acreditava que estaríamos exaustos demais para ficar com raiva. Mas a crise da Covid faz exatamente o oposto. Continuaremos até o fim”.

Está fora de questão deixar o hospital público morrer ", foram as palavras de Olivier, técnico de laboratório do Hospital Henri Mondor. A crise da saúde, para eles, é um indicador de sua precariedade e da realidade de suas condições de trabalho. Ao mesmo tempo as mobilizações contra a violência policial na França são massivas, os trabalhadores da saúde foram selvagens reprimidos, espancados e gaseados, além dos que foram presos.

Sabrina Ali Benali, médica de emergência e membro do grupo Inter Urgence², se rebela nas mídias sociais devido ao nível de repressão: “Bem, Sr. Macron, estamos pedindo dinheiro, não gás lacrimogêneo. [...] Eles estão jogando gás em pessoas que salvaram vidas por três meses ".

Trabalhadores de outros setores vieram se manifestar com o pessoal da saúde. Como os trabalhadores da Derichebourg, uma empresa de aviação, na qual os funcionários lutavam contra um plano de reestruturação. Um deles, Seif, explica: “Não cabe aos funcionários pagar pela crise. Não negociamos o peso das cadeias [las cadenas] e o que acontece em casa não deve acontecer em outros lugares. "

em Lille, por exemplo, também estavam presentes trabalhadores de transporte, ferrovias, maquinistas, professores e bombeiros. Profissões essenciais que também tiveram que enfrentar com o vírus. Claramente, o começo da unidade desses setores seria essencial para pensar em um triunfo. Como explica Diane, professora em Toulouse: "Precisamos criar uma convergência entre todas as lutas, pois só assim poderemos garantir que não sejam os trabalhadores que pagam pela crise, mas o Estado e todos os responsáveis".

Outra imagem forte da manifestação foi a presença de Assa Traoré e membros do Comitê Adama¹, agora lutando contra a violência policial e o racismo. Assa, uma das protagonistas das atuais mobilizações de jovens, explica: "Hoje estamos aqui pelos profissionais de saúde e também não esquecemos que todas as pessoas que trabalharam para que a França continue funcionar [“girando”], que são os caixas, os agentes da limpeza, motoristas de entrega, etc. Somos todos nós! [“somos todos nosotros”] "

De fato, é a convergência de todos esses setores essenciais, precários e de linha de frente, geralmente bairros da classe trabalhadora, que pode nos permitir pensar em perspectiva. A mobilização dos trabalhadores da saúde é o primeiro passo para a aliança de trabalhadores e jovens contra os ataques que nos aguardam.




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