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FRANÇA REPRESSÃO

Dezenas de feridos pela repressão brutal em Paris, um manifestante perdeu o olho

Houve uma forte operação policial na quinta-feira (15) em Paris contra a manifestação operária e estudantil. Resultado: um manifestante perdeu um olho.

segunda-feira 19 de setembro| Edição do dia

Depois de cada manifestação contra a reforma trabalhista, é muito instrutivo analisar as manchetes da mídia dominante. Sempre a informação é muito precisa quando se trata de saber o número de feridos do lado das forças policiais, e também o número de detidos e em prisão preventiva. Depois desta 13ª manifestação o balanço é, de acordo com Cazeneuve [Ministro do Interior], 15 policiais feridos, 2 deles gravemente. Também 64 detidos e 32 em prisão preventiva. A mídia dominante, por sua vez, se conforma em transmitir e embelezar estas cifras centrando a informação sobre “o CRS [Companhia Republicana de Segurança] queimado em uma perna por um coquetel Molotov”. No entanto há várias dezenas de manifestantes feridos, alguns deles gravemente, e um deles acabou perdendo um globo ocular.

Dado que a mídia dominante impõe o quadro midiático, é muito difícil encontrar informações objetivas. Para descobrir estas informações não podemos contar com ninguém além de nós mesmos. Com a popularização dos smartphones, hoje é muito mais fácil compartilhar informação sobre a internet. Numerosos militantes, estudantes e trabalhadores que participam da manifestação postam no Facebook ou no Twitter informações diretamente de lá.

As mídias independentes também, aquelas que estão do outro lado da barricada, ou seja, do lado dos explorados e dos oprimidos, são os que tentam oferecer um ponto de vista diferente sobre a mobilização, com o maior profissionalismo possível, e com os elementos disponíveis. Mídias e jornalistas que são frequentemente desrespeitados: “Posso lhes contar a história de meu companheiro jornalista que recebeu um tiro de LBD40 em sua máscara antigás (que portava sobre o rosto), como podemos ler na conta do Twitter de Gaspard Glanz.

Numerosos tweets, principalmente na conta da Taranis News, permitem ver uma realidade totalmente diferente.

“Por agora não há uma contagem oficial dos bombeiros, ou do “medicalteam” [médicos e enfermeiras voluntários], mas há várias dezenas de feridos, alguns deles graves” podemos ler no final da tarde. Mas chama a atenção a violência terrível da repressão. “Posso contar sobre os 6 policiais que caminham sobre um manifestante algemado, ou que pisoteiam o monumento aos mortos da Praça da República, nos diz a conta do Twitter. “Ou posso lhes relatar como arrastam as pessoas pelo chão dando chutes no rosto e fazendo-os sangrar”. Para ilustrar esta terrível violência estão as fotos que tiramos dos “restos de uma granada antimotins que explodiu [sic.] a alguns centímetros de onde nos encontrávamos”.

Os manifestantes também são vítimas da repressão. “Ao menos cinco feridos graves na manifestação, um deles com perda do globo ocular, uma pessoa recebe um tiro de granada no ventre e vomita sangue” [sic.], afirmava este site no final da tarde. Desde a instauração do estado de urgência a polícia, a mesma que matou Adama Traoré, contou com uma total impunidade, que foi aumentando com o correr do tempo. E que com as mobilizações contra a reforma trabalhista chegaram a um nível raramente alcançado. “Os policiais não levam mais suas identificações, e não respeitam nenhuma regra de moderação como faziam durante a primavera” afirma a conta do Taranis News. Também “posso afirmar que o número de policiais portando sua identificação caiu 30% na primavera para 5% hoje em dia.” De fato, para que serve poder identificá-los se depois a sentença da justiça de classe é um “não procede”?

“Digo a vocês agora: as imagens da manifestação que verão... não vai lhes deixar indiferentes” [sic.], nos explica este veículo independente. De fato, a repressão foi terrível neste 15 de setembro, e particularmente em Paris. Com esta nova escalada repressiva, o governo e seu braço armado, a polícia, querem acabar de uma vez por todas com toda manifestação de protesto, especialmente o movimento estudantil, que tomam como alvo preferido.

Frente a esta repressão, seja patronal-sindical, ou governamental-policial, o que precisamos é a mais ampla mobilização. Neste momento em que a repressão judicial se abate sobre o movimento operário e a juventude, é preciso levar uma campanha que se apoie principalmente na de apoio aos trabalhadores da Air France, que serão julgados no dia 27 de setembro, e também na dos trabalhadores da Goodyear que irão a julgamento em 19 e 20 de outubro de 2016. Exijamos o fim de todos os processos e a libertação de todos os acusados!

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