Internacional

LUTA ESTUDANTIL NO MÉXICO

Dez pontos para entender a luta dos estudantes politécnicos mexicanos

Por trás do desconforto estudantil está a aplicação da Reforma Educacional do presidente Enrique Peña Nieto, que ataca os direitos dos professores e afeta centenas de milhares de estudantes.

quinta-feira 21 de abril de 2016| Edição do dia

1 O Instituto Politécnico Nacional (IPN) conta com uma média de 200 mil estudantes de educação média superior (o que na Argentina, por exemplo, equivale ao ensino médio que vai dos 15 aos 18 anos), universitária e estudos de pós-graduação. Se encarrega, desde sua fundação em 1936 sob o governo de Lázaro Cárdenas, à formação de profissionais em disciplinas técnicas, tecnocientíficas e de ciências exatas de alto nível como engenharias, computação, biotécnologia, ciências biológicas, matemática, etc.

2 No final de 2014, centenas de milhares de estudantes do IPN com cede na Cidade do México e do Estado do México, instalaram uma greve de três meses e tomaram as ruas contra as reformas ao plano de estudos e administrativas que pretendiam subordinar o Instituto aos desígnios do governo federal para aplicar a Reforma Educacional.

3 Nesta luta, os estudantes deixaram para trás a reforma ao regulamento interno e as modificações aos planos de estudos dos Centro de Estudos Científicos e Tecnológicos (CECyT´s). Desta forma, evitaram que estes últimos fossem integrados ao Sistema Nacional de Bacharelados (SNB). Ambos haviam sido promovidos pelo governo mexicano para rebaixar o nível técnico e científico de educação e formar mão de obra barata para as grandes transnacionais e as empresas nativas. Sabe-se que nos últimos anos, o México tem-se convertido em um paraíso de investimento, por ter uma mão de obra ultra precarizada e, muitas vezes, com níveis salariais mais baixos que os da China.

4 A intenção de atribuir o IPN a tal sistema, teria o objetivo de rebaixar a formação de engenheiros, científicos e tecnológicos e aceitar a maquinaria de "fabricação de mão de obra barata" em que está se convertendo a educação no México.

5 A luta de 2014 recuou nesta tentativa; a mesma quis ir além, impulsionando um Congresso Nacional Politécnico para democratizar a instituição que, ao final, foi combinado com as autoridades e um grupo "seleto" de estudantes sem mandato de assembleias e que viraram as costas à base estudantil.

6 Há alguns dias, o Diário Oficial da Federação, anunciou a integração do IPN à Subsecretaria de Educação Supeior (SES) que depende da Secretaria de Educação Pública, atualmente encabeçada por Aurelio Nuño.

7 O anúncio despertou a ira estudantil e tem sido recebido com enorme desconfiança por parte dos estudantes politécnicos. Aurelio Nuño, atual Secretário da educação pública, formou parte da organização empresarial "Mexicanos Primeiro", orquestrada da atual Reforma na Educação e que conta, entre seus membros, com "distintos conhecedores da educação" no México, como o dono da Televisa, Emilio Azcárraga e da TVAzteca, Salinas Pliego.

8 A decisão do presidente EPN de colocar Nuño à frente da Secretaria de Educação no México, foi "levar até o final" a Reforma na Educação baseada no corte de direitos trabalhistas dos professores e em rebaixar ao máximo a formação de centenas de milhares de crianças e jovens.

9 Com uma saudável desconfiança, os estudantes politécnicos tem começado a organizar e a tomar as ruas contra esta medida, com assembléias de 300 a 400 estudantes em pelo menos 26 escolas e estourando em greves estudantis em 7 dependências até agora.

10 Das mobilizações espontâneas se registraram, na Cidade do México, de 15 a 20 mil estudantes cada uma em 14 de abril. E em 15 de abril, até o final destas linhas, três mil estudantes cercaram a Reitoria da Universaidade Autônoma Metropolitana, onde se encontra em sessão uma reunião do Secretário de Educação com vários Reitores de Universidades.

Tradução de Raíssa Campachi do texto original




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