Mundo Operário

CONTRA O PARCELAMENTO

Devem os servidores estaduais do RS estar em unidade com a polícia?

TRIBUNA ABERTA I Opinião acerca da recente paralisação dos policiais contra o parcelamento dos salários. Sabendo que eles representam o braço armado do estado, já reprimiram os servidores públicos inúmeras vezes, devem os servidores estar em unidade com esse setor?

sexta-feira 5 de agosto| Edição do dia

Antes de responder essa pergunta, gostaria de fazer um pequeno retrospecto. Desde que assumiu o palácio Piratini, o governador Sartori adotou a política de parcelamento de salários dos servidores entrando junto nesse "pacote" os policiais. O parcelamento de salários entrou 2016, onde já nos encontramos com o sexto parcelamento e com depósito inicial nesse mês de agosto de R$ 650,00.

Da mesma forma que 2015 todas as categorias dos servidores do Estado via sindicatos já anunciaram estratégias para pressionar o governador para reverter os parcelamentos, da mesma forma a polícia já anunciou menos viaturas nas ruas nessa quinta-feira.

As direções burocráticas da maioria dos sindicatos levantou no ano de 2015 a bandeira no tal movimento unificado, movimento esse que incluía a polícia e demais categorias dos servidores.

Vamos agora recordar que a polícia gaúcha é a mesma que nas jornadas de junho de 2013 reprimiu violentamente a juventude e a classe trabalhadora que estavam na rua protestando por melhores condições de vida e contra o aumento da passagem do ônibus da capital. Essa é a polícia que mesmo com o tal movimento unificado em 2015 reprimiu violentamente os servidores no dia de votação do aumento do ICMS, onde os servidores foram aquartelados pela polícia proibidos de entrarem na assembleia legislativa para acompanhar a votação. Nesse episódio professores foram levados para delegacia e muitos outros ficaram feridos. Continuando agora em 2016, essa é a mesma polícia que na greve do magistério e nas ocupações das escolas a um mês atrás reprimiu muitos secundaristas nas escolas e como último grave incidente na escola Cristóvão de Mendoza em Caxias do Sul, entraram na escola por um chamado de alguns professores que não deixaram os alunos organizarem-se para as eleições de grêmio estudantil e trancaram os secundaristas na sala dos professores agredindo os estudantes e depois levando eles de camburão algemamos para prestar depoimento.

Depois de todo esse retrospecto sobre o caráter da polícia fica evidente que os servidores não devem fazer jamais unidade com a polícia, pois a mesma serve como braço armado dos governos principalmente contra a juventude pobre e a classe trabalhadora e não possuem um caráter de classe. Esse é um debate importante que deve ser feito entre as organizações de esquerda, pois algumas delas tem o entendimento que os policiais quando se organizam por melhores salários, seriam como a classe trabalhadora colocando-se em luta. Os servidores não podem cair nessa ilusão, pois a polícia nada mais é que um instrumento de repressão dos governos e defender melhorias para a polícia é a mesma coisa que defender mais repressão contra s juventude pobre e a classe trabalhadora.




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