Sociedade

DESMATAMENTO

Devastação no celeiro do mundo: Amazônia e Cerrado nas mãos do agronegócio e dos militares

Pesquisa publicada ontem (16) na revista Science revela que são os grandes latifundiários os responsáveis pela maior devastação da Amazônia e do Cerrado em décadas. Apenas 2% das propriedades são responsáveis por 62% de todo o desmatamento e queimadas. Estima-se que 20% da soja e 17% da carne bovina exportadas para a União Europeia (UE) sejam provenientes dessas áreas de devastação.

sexta-feira 17 de julho| Edição do dia

Com o título "As maças podres do agronegócio" a pesquisa, que tem colaboração entre cientistas do Brasil, Alemanha e EUA, cruza dados de satélites com dados públicos. Foram analisadas 81.500 propriedades dos dois biomas e se constatou que uma pequena minoria de grandes proprietários é responsável pela maior parte do desmatamento e queimadas. Os latifundiários protegidos por Bolsonaro e pelo exército brasileiro estão “passando a boiada” como recomendou o ministro Ricardo Sales naquela fatídica reunião ministerial.

72% do desmatamento ocorreu em áreas indígenas durante a pandemia. Um verdadeiro genocídio de indígenas protagonizado por esse governo de extrema direita militarizado. Na semana passada Bolsonaro vetou obrigações do Estado com os povos indígenas na pandemia, o que incluía, além da água potável, distribuição de materiais de higiene e limpeza e de desinfecção das aldeias e oferta de leitos hospitalares e de unidade de terapia intensiva (UTI), ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea.

O vice presidente Hamilton Mourão e general do exército é o atual chefe do Conselho Nacional da Amazônia Legal. É a raposa dirigindo o aviário. Chegou a afirmar que "o indígena se abastece da água dos rios que estão na sua região" para justificar o veto do presidente, portanto não precisa de água potável mesmo em meio a uma pandemia. A presença dos militares na Amazônia foi prorrogada por Bolsonaro até novembro por meio da GLO (Garantia da Lei e da Ordem). A única garantia da GLO no entanto é o avanço ilegal ainda maior sobre os biomas para garantir os interesses dos grandes latifundiários do agronegócio ao custo das vidas indígenas.

Ao mesmo tempo Ricardo Salles, que já demitiu o diretor do Ibama em abril, agora demite a coordenadora do desmatamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) Lubia Vinhas. Foi assim que junho registrou a maior devastação na Amazônia em 5 anos.

Alguns países europeus já se manifestaram para que a UE pare de comprar soja e carne do Brasil até que o governo crie medidas efetivas de proteção dos biomas. Porém a solução para o problema do desmatamento e do genocídio de povos indígenas não virá do imperialismo europeu com chantagens comerciais, muito menos de Bolsonaro ou dos militares. A solução passa pela auto-organização da classe trabalhadora brasileira, dos movimentos sociais e de juventude que junto com os trabalhadores do campo não imaginam a força que tem, podem derrubar Bolsonaro e Mourão, sem nenhuma confiança no STF, no Congresso ou no governadores, impor pela luta uma Constituinte Livre e Soberana para que seja o povo que decida os rumos desse país, hoje dirigido para o caos ambiental e econômico em meio a pandemia, mudando não só os jogadores da política mas as regras do jogo.




Tópicos relacionados

Militares na política   /    Sociedade   /    Economia   /    Política   /    Internacional

Comentários

Comentar