AMAZÔNIA

Devastação da Amazônia pelo agronegócio e o latifúndio é “cultural”, segundo Bolsonaro

quarta-feira 20 de novembro| Edição do dia

Questionado sobre o aumento recorde de quase 30% nas queimadas na Amazônia, sobretudo nos primeiros meses de seu governo, Bolsonaro deu de ombros dizendo que é “cultural” o desmatamento e queimadas no Brasil e não há como mudar isso.

Segundo uma pesquisa recém publicada do Inpe, a área desmatada na Amazônia foi de 9.762 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019, um aumento de 29,5% em relação ao período anterior (agosto de 2017 a julho de 2018), que registrou 7.536 km² de área desmatada.

“Você não vai acabar com desmatamento nem com queimadas, é cultural. Eu vi a Marina Silva criticando anteontem. No período dela tivemos a maior quantidade de ilícitos na região amazônica”, disse o presidente

A “solução” proposta por Bolsonaro na entrevista foi de aprofundar a concentração de terras no país, dizendo que não só vai continuar flexibilizando a fiscalização ambiental e a regularização fundiária, como quer “titularizar” as terras para poder “cobrar o dono”.

"Nós queremos é titularizar as terras, daí uma vez havendo o ilícito, você sabe quem é o dono da terra, hoje em dia você não sabe", argumentou

Bolsonaro afirmou que está previsto para esta MP a autodeclaração como ferramenta para a entrega dos títulos de terra. A proposta é uma bandeira do secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura (MAPA), Nabhan Garcia, mas sofre resistência de ala ruralista ligada à ministra Tereza Cristina (DEM). O temor é que a autodeclaração abra margem para grilagem de terras e insegurança jurídica.

O presidente nunca escondeu que a sua política para a floresta Amazônica é de incentivo ao desmatamento, como declarou em reunião com investidores estrangeiros que sua política é de incentivo às queimadas. O que nunca se tratou de segredo, frente a sua resposta à queimada histórica que ocorreu no primeiro semestre do seu governo, que de tão intensas fizeram com que uma densa fumaça cobrisse o céu de cidades dos estados próximos à região e até mesmo em São Paulo, no fatídico dia em que anoiteceu às 16h.

A única coisa “cultural” que existe nessa devastação da Amazônia são os interesses do grande latifúndio e do agronegócio brasileiro, suas traders e investidores imperialistas, em fazer sua fortuna às custas do meio ambiente, dos povos indígenas e suas terras. Aos olhos do capitalismo, nosso oceano contaminado de óleo, nossas cidades soterradas pelas mineradoras em Minas Gerais e as queimadas na Amazônia, são fonte de lucros. Pois se o capitalismo está destruindo o planeta, destruamos o capitalismo.

Uma cultura herdada dos tempos coloniais e que nossos capitalistas “modernos”, urbanos, jamais se enfrentaram. Só um programa que alie os trabalhadores da cidade e do campo pode fazer frente à esta opressão, com a expropriação do latifúndio e a divisão das terras para todos os que reivindicam trabalhar no campo e a estatização da indústria baseada no latifúndio.

Leia também: Devastação da natureza e trabalho escravo: o programa do latifúndio por trás de Bolsonaro




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