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SISTEMA CARCERÁRIO

Detentos do Mato Grosso fazem greve de fome contra superlotação carcerária

terça-feira 7 de novembro| Edição do dia

Nesta segunda-feira (06), detentos do Mato Grosso iniciaram uma greve de fome para reivindicar melhorias no serviço e nas estruturas das penitenciárias do Estado. De acordo com os próprios membros do movimento, todos os presos do Estado se negaram a aceitar as refeições, as saídas das unidades para atendimento e audiências. A pauta de reivindicações denuncia a superlotação, a falta de dentistas e a falta de oportunidade de trabalho nas unidades, dentre outras.

Em outubro, a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, foi tomada por uma epidemia de tuberculose. O Sindicato dos Servidores Penitenciários do Mato Grosso (Sindspen) aponta que a superlotação das celas foi uma das causas da proliferação da doença. Nesta unidade, as celas para 8 pessoas conta com mais de 40 presos.

Além disso, “Hoje, vários detentos morrem pela negligência da parte do governo que não contrata médico e falta de medicamentos adequados para os tratamentos”, como consta na pauta de reivindicações. O movimento afirma que deve durar até que as reivindicações sejam atendidas.

A superlotação das penitenciárias não se restringe aos presídios do Mato Grosso. Na verdade, são consequência da política de encarceramento em massa que ocorre em todo o Brasil, da qual a maior parte das vítimas são os negros e as negras. Hoje cerca de 44% dos detentos do país estão presos sem julgamento.

Da mesma forma, a epidemia de tuberculose não atinge apenas as penitenciárias do Estado do Mato Grosso. Rafael Braga, vendedor ambulante negro preso injustamente por portar um pinho sol nas jornadas de junho de 2013, também foi vítima dessa epidemia no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro.

No mês em que se comemora a Consciência Negra no dia 20, a manifestação da população carcerária do Mato Grosso torna-se simbólica, denunciando o racismo institucional que não é só local, mas do Estado brasileiro como um todo, o terceiro em população carcerária no mundo e cuja polícia é uma das que mais mata, sendo seu alvo principal a população negra.




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