REPRESSÃO POLICIAL

Detenções “preventivas”, flagrantes forjados: a atuação da PM no protesto contra Temer

De acordo com informações fornecidas pelos advogados que estiveram acompanhando o caso, ontem foram detidas 26 pessoas antes mesmo do protesto ter início. Eles foram presos pela polícia com flagrantes forjados e apenas doze horas após a detenção as acusações contra eles foram informadas aos advogados que os acompanhavam.

segunda-feira 5 de setembro| Edição do dia

Foto: GAPP

Estiveram presentes na delegacia políticos como Eduardo Suplicy, Nabil Bonduki e Paulo Teixeira para tentar obter informações sobre as detenções ilegais e arbitrárias praticadas pela polícia. Foi apenas após a chegada dos políticos que os advogados tiveram acesso aos presos, quase nove horas após sua detenção.

Segundo os advogados que conversaram com eles, o maior grupo preso era de 21 jovens, que por volta das 15h de ontem foi cercado por policiais fortemente armados no Centro Cultural Vergueiro e levados por supostamente carregar mochilas com pedras. Eles afirmam que não possuíam esses materiais, e um deles diz que nem mesmo tinha uma mochila – o caso lembra muito flagrantes forjados em manifestação como os de Fábio Hideki e Rafael Braga. O que eles efetivamente tinham consigo eram máscaras de gás, gaze, vinagre e bandanas, ou seja, materiais básicos para se proteger contra a agressão brutal da polícia, coisa que vimos acontecer dia após dia nas manifestações da semana passada.

Uma das meninas detidas fazia parte de um grupo de socorristas que auxilia manifestantes feridos nos protestos. Outro, sequer ia para o ato: o jovem Felipe Ribeiro estava no Centro Cultural fazendo um trabalho para a faculdade.

A acusação que recai sobre os 26 presos é de associação criminosa e corrupção de menores. Os maiores de idade serão levados para uma audiência de custódia e encaminhados para a penitenciária, e os cinco menores de idade serão levados para a Fundação Casa. A polícia nem sequer forneceu à imprensa a lista dos presos, e os pais puderam ver os adolescentes mas não conversar com eles. Já entre os maiores de idade, muitos não puderam ainda sequer avisar seus familiares que se encontram detidos.

As práticas ilegais e intimidatórias incluíram também colher depoimento dos detidos sem a presença de advogado e forçar que assinassem, seguindo a tentativa de incriminar os jovens com os flagrantes forjados.

A prática ilegal e digna de um Estado de exceção praticada pela polícia tem avançado a largos passos após a consolidação do golpe institucional, mas encontra também respaldo na Lei Antiterrorista sancionada por Dilma antes da perpetração do golpe. Os golpistas têm procurado impor uma nova correlação de forças com a repressão dos crescentes atos contra Temer e, agora, recorrem mesmo à prática completamente absurda de detenções “preventivas” de manifestantes e pessoas aleatórias.

Ontem assistimos também ao final do ato a polícia começar a reprimir a manifestação quando o ato já havia sido declarado encerrado, sem nenhuma motivação. À imprensa, relataram que foram acionados pela segurança do metrô Faria Lima, que supostamente teria pedido que ajudassem a conter depredações e tumultos na estação. Contudo, a mais de um jornalista a própria Via 4, que administra a estação, negou ter corrido qualquer tipo de distúrbio. Um cadeirante foi atingido pelas bombas de gás e passou mal, tendo que ser socorrido pelos funcionários da Via 4. Ao menos duas pessoas foram atingidas por balas de borracha e uma por estilhaços de uma bomba de efeito moral.




Tópicos relacionados

Golpe institucional   /    Repressão   /    Violência Policial   /    São Paulo (capital)

Comentários

Comentar