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Detenções pela morte do vice-ministro boliviano agravam conflito com cooperativistas mineiros

A polícia deteve nessa sexta mais de uma centena de cooperativistas mineiros acusados pela morte do vice-ministro. Os cooperativistas levantaram bloqueios enquanto se mantem a tensão.

sexta-feira 26 de agosto| Edição do dia

A polícia boliviana deteve nessa sexta mais de uma centena de cooperativistas mineiros, que participaram dos bloqueios no planalto, acusados pela morte do vice-ministro de Régimen Interior, Rodolfo Illanes.

O ministro da Defesa, Reymi Ferreira, declarou ao canal de televisão Red Uno, segundo informa a agência EFE, que o governo não deixará na impunidade o crime e que os agentes de inteligência já prenderam entre 100 e 120 pessoas dentro das investigações.

O site Erbol informa que a Promotoria do Distrito de La Paz investigou oficinas da Federação Nacional e Departamental de Cooperativas Mineiras (Fencomin e Fedecomin), com o fim de encontrar pistas vinculadas à morte do vice-ministro Rodolfo Illanes.

Ao mesmo tempo, foram interrompidas as transmissões da rádio Fedecomin, que transmitia a informação do conflito. Operativos similares se completaram nas oficinas mineiras de El Alto.

Por sua vez, os cooperativistas mineiros levantaram nessa sexta os bloqueios de rotas para exigir trocas na lei que os regula, horas depois de terem sido acusados pela morte do vice-ministro, e denunciaram a morte de três manifestantes, produto da repressão.

Evo Morales denuncia uma conspiração

O presidente da Bolívia, Evo Morales, decretou três dias de duelo e disse na sexta que o povo vive uma “profunda dor” pelos falecimentos nas mobilizações, que considerou que formam parte de uma “conspiração política”.

A se referir à morte de 3 cooperativistas mineiros, disse que “nunca o governo ordenou à polícia portar armas letais. Suspeitosamente tem havido mortes que têm que ser investigadas profundamente pelas autoridades competentes. O falecimento do irmão vice-ministro Illanes dói muito”, disse Morales em coletiva de imprensa. Ao que ele agregou que sente que “nessa mobilização de Fencomin havia uma conspiração política e não havia uma reivindicação social para o setor”.

Os cooperativistas mineiros haviam cumprido na quinta seu terceiro dia de bloqueios por um rol de 10 pontos. Entre as demandas dos cooperativistas está a concessão de mais áreas de exploração, a flexibilização de normas ambientais, ter autorização para se associar com empresas privadas e tarifas preferenciais de energia elétrica, entre outros pedidos. Dirigentes da federação mineira haviam anunciado que aumentariam as medidas de pressão, indignados pela morte de seus companheiros. Essa situação se acirrou na quinta quando foi tomado o conhecimento da morte de um terceiro cooperativista.

O conflito estourou sob a votação da Lei de Cooperativas nº 823, que permite a sindicalização a trabalhadores dessas entidades, sem incluir as mineiras. A patronal cooperativista se enfrenta pela primeira vez com o governo depois de anos de concessões e benefícios, tem sido propiciado pelo mesmo Movimento Al Socialismo (MAS), que potencializou de ampla maneira essas cooperativas, que são praticamente empresas privadas. A mobilização do setor cooperativista mineiro surge como uma resposta reacionária diante de uma Lei que habilita o direito à organização sindical, concretamente para as cooperativas de serviços, muitos dos que participaram dos enfrentamentos com a polícia foram os operários e peões.




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