Economia

AUMENTO DO DÓLAR

Desvalorização da moeda, incertezas nacionais e internacionais: entenda a alta do dólar e como te afeta

Após 2 anos e meio, o dólar voltou a romper o patamar de R$ 4,00. Por um lado, existe as incertezas do mercado internacional frente às eleições nacionais e da possibilidade de que seu candidato, Geraldo Alckmin, possa emplacar. Por outro lado, as tensões comerciais internacionais provocada pela política protecionista de Donald Trump nos Estados Unidos que pressiona as moedas dos países emergentes.

Daphnae Helena

Metroviária da estação Sé, economista e militante do grupo de mulheres Pão e Rosas

quinta-feira 6 de setembro| Edição do dia

No início desta semana a moeda norte-americana subiu 0,04% no Brasil, chegando a R$ 4,15, novamente no maior valor desde 2016. Na máxima desta terça (04), o dólar chegou a R$ 4,19 e na mínima, a R$ 4,13. Neste ano, o dólar já acumula alta de mais de 25,3% sobre o real.

As incertezas rondam o cenário eleitoral nacional e os movimentos especulativos se movem em razão disso. Apesar de toda tentativa de viabilizar o candidato dos sonhos do mercado, Geraldo Alckmin, os dois principais candidatos nas pesquisas correm por fora, pelo lado da extrema-direita Jair Bolsonaro e, por outro, o Lula que está preso.

Na última semana, acompanhamos mais um capítulo da arbitrariedade do judiciário na sua corrida para impedir a candidatura de Lula e atacar o direito democrático da população poder votar em quem quiser. Ainda assim, mesmo com as manobras judiciais, paira sobre mercados o medo de que Haddad que seria o candidato do PT, esteja mais fortalecido que Alckmin. Não à toa, nesta terça-feira (04), após a notícia de que o Ministério Público de São Paulo havia denunciado Fernando Haddad por corrupção no melhor estilo “sem provas, mas com convicção”, o dólar que estava o dia todo em alta, recuou para o patamar de R$ 4,15.

Este cenário de movimentos especulativos com a moeda brasileira como forma de pressão para que sejam garantidos, acima de tudo, os ataques aos trabalhadores como a reforma da previdência, é recorrente. No entanto, no cenário econômico e político brasileiro as incertezas da política nacional se combinam com uma situação internacional de desvalorização das moedas de diversos países tidos como emergentes.

Acima dos R$ 4,00 a alta do dólar é puxada também pelo cenário externo dos países emergentes. As tensões comerciais que advém da política protecionista do governo Trump, combinado com a alta das taxas de juros do Federal Reserve (Fed), vem impactando a Turquia que tenta aumentar a taxa de juros para conter a desvalorização da sua moeda, que já acumulou 43% desde o começo do ano. Além da Turquia, há também profunda crise que passa a Argentina, onde a inflação já chega a 30%, e a super desvalorização do peso argentino fazendo o dólar chegar a $40. Combinado com a intervenção do FMI por meio do governo Macri aumentando a dívida externa do país (paga em dólar) e pressionando por mais ataques aos trabalhadores.

Os Bancos Centrais da Índia, Indónesia, Filipinas e República Tcheca também elevaram as taxas de juros em agosto para tentar conter o movimento internacional de corrida pelo dólar. A África do Sul entrou em recessão pela primeira vez desde 2009.

A situação dos emergentes aponta para um aprofundamento da crise internacional, que já dura mais de 10 anos, e que agora avança para as economias antes colocadas como “em desenvolvimento”. Dos chamados BRICS, a China é o único país que ainda mantém certa estabilidade econômica, ainda que já tenha mudado o eixo da economia para o consumo interno, e vem tendo taxas de crescimento em queda, que para um país continental como a China e com a tensão comercial dos EUA pode mudar e entrar um cenário mais desfavorável.

A política de Trump e do FED com aumento da taxa de juros, juntamente com a valorização do dólar está causando movimentos especulativos internacionais de fuga para esta moeda. Nesse momento, os países emergentes aumentam as taxas de juros como forma de manter o preço da moeda.

No Brasil, o Banco Central ainda não se utilizou das reservas para conter a alta do dólar, nem tampouco aumentou as taxas de juros, ainda em contra-tendência em comparação aos países emergentes, e tenta ajustar o preço pela via dos swaps cambiais, ou seja, ainda pela via do mercado.

De forma geral, a alta no dólar impacta diretamente na vida das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. Com o aumento do dólar, encarece também os produtos importados, como combustíveis como diesel encarece e aumenta o valor dos fretes e de forma geral dos alimentos que são transportados. Também automóveis e eletrodomésticos, como celulares, se encarecem por usar insumos importados comprados em dólar. Algo que gera aumento dos preços (inflação) e afeta no bolso da população.

Apesar de ainda não ter se utilizado de todas as armas possíveis, é necessário ter em conta que o cenário internacional se torna cada vez mais adverso, somado com a aproximação das eleições deixam incertos quais podem ser os próximos impactos da moeda americana no país e torna o mercado e a burguesia em geral mais ferrenhos na defesa da necessidade de ataques aos trabalhadores, como a reforma da previdência.




Tópicos relacionados

Crise capitalista   /    Bancos   /    Banco Central   /    crise econômica   /    Economia

Comentários

Comentar