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SAÚDE NO RJ

Destruição do SUS: mulher dá à luz no chão de hospital municipal no Rio de Janeiro

Em um hospital municipal do Rio de Janeiro, uma mulher acabou dando à luz na recepção do local, onde permaneceu horas com sua filha recém-nascida. A situação de calamidade da saúde carioca escancara a crise que enfrenta o Estado e governos que querem despejar na crise dos trabalhadores e do povo pobre a conta desta crise.

quarta-feira 12 de dezembro de 2018| Edição do dia

O Rio de Janeiro é um dos Estados mais afetados pela crise capitalista: servidores públicos das mais diferentes categorias perecem enquanto trabalham sem muitas vezes receber seus salários. Na saúde, o resultado da falta de investimento e sucateamento do SUS são hospitais que não possuem aparato suficiente para atender a população nem mesmo no que há de mais básico em termos de serviços médico-hospitalar: em um hospital municipal Pedro II do Rio de Janeiro, Paula da Silva de 29 anos deu à luz no chão da recepção, sem acesso a sala de parto e a assistência médica.

Além das condições totalmente insalubres que a mãe a criança foram expostas, Paula teve que fazer seu próprio parto e ficou no chão em cima de uma poça de sangue, sem condições mínimas de higiene preocupada com a vida de sua filha. Outros pacientes no recinto ajudaram a gestante até que uma enfermeira pudesse vir ajudá-la. O caso causou muita indignação escancarando a situação caótica da Saúde Publica no Rio de Janeiro.


Gestante dando à luz em meio à recepção do hospital. Reprodução de vídeo

Os funcionários do hospital pediram que a gestante e seu marido aguardassem, fruto de uma precarização absurda das condições de trabalho, onde poucos profissionais estão sujeitos à jornadas atenuantes. Os trabalhadores da saúde no Rio de Janeiro enfrentaram duros ataques do governo do Estado e do município. Ano passado, técnicos e médicos fizeram uma longa greve que culminou em um grande protesto conjunto da categoria. Sob a gestão do prefeito Crivella, trabalhadores queixavam-se de salários atrasados, fechamento de unidades básicas de saúde, demissão em massa e condições de trabalho inaceitáveis.

Saiba mais: Centenas de profissionais da Saúde do RJ protestam contra os absurdos cortes de Crivella

A calamidade da saúde no Rio de Janeiro não afeta somente os hospitais, mas também o acesso à saneamento básico e condições de moradia digna, que levam ao surgimento de epidemias como a chikungunya, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que também transmite a dengue e zika, que teve um aumento de 720% em 2018. A taxa de mortalidade infantil, um dos mais importantes indicadores de qualidade de vida, é de 11,32 óbitos a cada mil nascidos vivos no Estado do Rio de Janeiro, segundo o IBGE, evidenciando que as condições de saúde são péssimas, punindo ainda mais a classe trabalhadora e o povo pobre.

Veja também: Chikungunya cresceu 720% no RJ: condições de vida precárias são fábricas de epidemias

Enquanto o povo perece nas filas dos hospitais do serviço público, historicamente atacado pelos governos que abrem espaço para grandes empresários do setor da saúde aumentarem ainda mais seus lucros. Desde o governo Dilma, que aprovou a o projeto de lei que permitia a entrada de capital estrangeiro na Saúde, até a PEC do teto de gastos aprovada pelo golpista Michel Temer, os ataques e a decadência do SUS se aprofundam em nome dos interesses dos capitalistas: deixam de investir em saúde para que sobre ainda uma maior parcela dos recursos do país para o pagamento da ilegítima e fraudulenta dívida pública.

Sob o novo governo de Jair Bolsonaro, a decandência do SUS irá se aprofundar ainda mais, e será nas costas do povo pobre e dos trabalhadores que será jogada a conta da crise capitalista: reforma da previdência, ataques à programas como os Mais Médicos e a gestão do Ministério da Saúde sob as mãos de Mandetta, aliado de uma das maiores empresas de planos de saúde, a Amil. A defesa do direito básico de acesso à saúde, não se restringe somente aos problemas de infraestrutura e subfinanciamento do SUS, mas também na luta contra os ajustes e reformas que Bolsonaro mantém em seu projeto de governo ultra neoliberal, para garantir os interesses da burguesia e fazer com que os trabalhadores paguem pela crise.




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