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Desta vez, Moro tinha provas, mas ainda não as mostrou porque também é culpado

sábado 25 de abril| Edição do dia

Ao pular de um barco afundando, Moro disparou à queima-roupa diversas acusações contra Bolsonaro, de interferência direta nas investigações sobre seus filhos, no caso da rachadinha de Flávio Bolsonaro, além da recente investigação sobre quem estaria financiado os atos da extrema-direita que pediam uma reedição do AI-5 dos militares assim como o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso.

No Jornal Nacional, Bonner já respondia Bolsonaro anunciando que as provas iriam ao ar durante a reportagem que cobriu a coletiva de imprensa de Sérgio Moro e o bizarro pronunciamento de Bolsonaro durante a tarde. As provas apresentadas implicam Carla Zambelli eu uma negociata para apaziguar Moro na aceitação da indicação dos cargos de super-intendente da PF, em troca da vaga do Supremo. Junto com elas, Bolsonaro questionando o Ministro sobre as investigações abertas contra deputados Bolsonaristas ligados às manifestações golpistas ocorridas este ano.

Moro tem provas, ao contrário de como foi com o julgamento de Lula, e tem a obrigação de revelá-las. Mas não o fará porque ele está implicado também.

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Sérgio Moro tem um caminhão de provas contra Bolsonaro que nem podemos imaginar. Para começar, sem Moro prender Lula, Bolsonaro jamais teria sido eleito. Durante seu mandato, Moro colaborou para que a Coaf fosse desmontada, e assim a corda no pescoço de Bolsonaro afrouxasse. Enquanto a Coaf representava interesses da alta burguesia no sentido de controlar cada passo de Bolsonaro, Moro atuou entrando mais profundamente no Bolsonarismo. Aderiu, durante o governo, aos ataques ao jornalismo quando Bolsonaro fazia campanha contra a Folha de SP, e foi acolhido pelos Bolsonaristas quando ocorreu a Vaza Jato.

Moro está ligado com interesses profundos do baixo escalão do autoritarismo judiciário e durante um período até se beneficiou dos arroubos contra o STF (especialmente nas figuras daqueles que depois se voltaram contra Deltan Dalagnol disciplinando a força tarefa da Lava Jato).

O caminhão de provas de Sérgio Moro que nunca veremos deverá incluir inclusive quais foram as circunstâncias em que ele se alinho com Bolsonaro antes do segundo turno - quem sabe antes do primeiro inclusive - para botar em prática a eleição mais manipulada da história. Com o fim da lua de mel entre a Globo e Bolsonaro - depois que Bolsonaro aprovou a reforma da previdência - na divisão de bens, a Lava Jato ficou com a grande imprensa. Jamais saberemos estes detalhes, são segredo de estado - do estado profundo, dos agentes que realmente mandam na política nacional.

Bolsonaro é um peão útil na arregimentação de bases de extrema direita e fascistas, seguirá sendo isso. A última cartada, de Moro, lhe dá a chance de renunciar. Além disso, revelar muitos detalhes sobre a relação de Bolsonaro com a Lava Jato é perigoso, pois reabre os segredos do golpe institucional - detalhes relevantes sobre o golpe institucional até a prisão de Lula, muito preciosos para os poderosos para que se escoem pelo ralo para onde se dirige o governo Bolsonaro.

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Urge uma esquerda dos trabalhadores que não caia no jogo confusionista e lute por uma saída independente, para que não seja o judiciário novamente quem decida a situação, ou um acordo espúrio feito às escondidas para que os militares sigam se fortalecendo no regime. O povo deve decidir, ao menos que seja da forma mais democrática possível que o regime pode permitir: Fora Bolsonaro, Mourão e Militares! Por uma assembleia constituinte livre e soberana, com medidas de emergência de combate à pandemia, que devem inclusive a taxação das grandes fortunas, reconversão produtiva com a estatização das grandes empresas sob controle dos trabalhadores para produzir neste estado de crise, abrindo vagas de emprego e produzindo para que quem precisa fazer quarentena receba no mínimo um salário de R$ 2 mil, e com a produção de respiradores, leitos, financiamento de pesquisas para vacinas e tudo o que é necessário para combater a crise sanitária.

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Ao mesmo tempo, é preciso tirar a conclusão que foram os diferentes governos capitalistas que nos levaram à esta situação, desde a conciliação petista que conviveu pacificamente com os grandes empresários que hoje querem o lucro acima das vidas na pandemia, até os governos golpistas que atacam as condições de vida dos trabalhadores. Somente com um governo de trabalhadores é possível fazer com que a produção sirva aos interesses da vida da maioria, ao invés do desmando do lucro irracional que cria dezenas de milhões de desempregados e joga amplas massas na miséria.




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