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MORADIA

Despejos por atraso de aluguel aumentam em São Paulo em meio à pandemia

A cidade de São Paulo teve um aumento de 24% nas ações locatícias no mês de julho deste ano, em relação a junho, segundo levantamento do Secovi-SP (Sindicato da Habitação). Foram 1.600 em julho contra 1.290 em Junho. Na comparação com julho do ano passado, quando houve 1.413, a alta é de 13,2%. Por outro lado houve diminuição no número dos processos ajuizados no total dos primeiros sete meses deste ano. De janeiro a Julho, foram contabilizadas 7.808 ações, 17% a menos que as 9.406 ações registradas no mesmo período de 2019.

quarta-feira 26 de agosto| Edição do dia

Em julho, as ações por falta de pagamento de aluguel foram responsáveis por 91,4% dos casos, com 1.463 registros. Em maio deste ano, uma pesquisa com 222 imobiliárias revelou ainda uma queda de 39,21% nas vendas de imóveis residenciais entre fevereiro e março na capital paulista. A inadimplência no pagamento de aluguel aumentou 48,79% entre os meses de março e fevereiro deste ano, de acordo com levantamento do CRECISP (Conselho regional de Corretores de Móveis de São Paulo) para mensurar os impactos da pandemia no setor imobiliário, impactos esses que faz com que o setor imobiliário recorra em aumentar o valor do aluguel, deixando trabalhadores e trabalhadoras sem ter como arcar com o valor exigido, levando por consequência o despejo ou entrega do imóvel em que reside.

Segundo pesquisas, ao menos 547 inquilinos devolveram apartamentos no período, 35% por motivos financeiros. As locações de imóveis diminuíram também cerca de 41,23% entre os meses de fevereiro e março. O conselho ainda aponta que os novos negócios feitos por financiamentos imobiliários tiveram mais apoio dos bancos privados do que os públicos, como a Caixa Econômica Federal. Segundo a pesquisa, a CAIXA foi responsável apenas por 15,09% dos financiamentos enquanto as instituições privadas tiveram a participação em 32,08%.

O Estado de São Paulo é considerado o epicentro da pandemia no Brasil, registrando o maior número de casos e mortes em todo o país, assim como governado por Dória e companhia, que em seus privilégios, tentam enganar a população com o novo normal. Novo normal que leva a população caminhar as cegas em meio a pandemia, sofrendo com o desemprego, escassez e miséria, normal esse que aumenta o valor do aluguel, onde um trabalhador desempregado que recebe um auxilio emergencial de 600 reais não consegue arcar com o valor exigido e por consequência tem que entregar a casa onde mora ou na pior das hipóteses ser despejado e ter que lidar junto com sua família nas ruas ou em ocupações, para ainda assim, sofrerem diariamente, seja os agravos climáticos, como temos acompanhado, onde pessoas morrem de frio por não ter um lugar adequado para passar a noite ou os agravos repressivos das autoridades às pessoas que ocupam terrenos para poder sobreviver.

São Paulo possui déficit habitacional de 474 mil moradias, enquanto existem mais de 300 mil imóveis vazios e 1800 mansões, que equivalem a 107 mil casas populares. 25 mil pessoas dormem nas ruas de São Paulo todos os dias Dessas mansões, uma delas é a casa do Governador João Dória, do mesmo partido de Bruno Covas que agora quer se reeleger como prefeito da capital, vale ressaltar, que na mesma mansão está Bia Doria, esposa de Doria, que recentemente vomitou que quem mora na rua é porque gosta e que essa situação é “atrativa”, refletindo o descaso de João Doria e companhia. Nas ultimas semanas começamos a presenciar os primeiros casos de morte por frio em São Paulo, metrópole mais rica do país, mostrando claramente que o que mata nas madrugadas da grande São Paulo não é o frio e sim a especulação imobiliária.

E é por isso que precisamos, conforme destacou o pré-candidato a vereador em São Paulo Marcello Pablito em recente entrevista ao Esquerda Diário, de uma reforma urbana radical, porque todos esses agravos que nós trabalhadores sofremos, todas as mazelas que recebemos, incluindo essas mortes por falta de moradia, se dão também por causa da divida pública, que transfere as riquezas do país para as mãos do mercado financeiro, frente a mecanismos que impedem investimentos nos municípios, como por exemplo a Lei de Responsabilidade Fiscal, que controla e sufoca esses gastos. Nacionalmente, o teto de gastos cortou recursos para todas as áreas sociais, tudo isso enquanto assistíamos os serviços públicos desmoronando, pessoas precisando de atendimento em saúde, precarização na educação, aumento das pessoas morando nas ruas, aumento da pobreza, do desemprego, da fome.

Essas leis não servem a classe trabalhadora, servem para o governo Bolsonaro, o STF, o Congresso Nacional, os governadores e todos os prefeitos garantirem um sistema no qual o dinheiro vá par aos poderosos donos da dívida pública. É urgente a taxação das grandes mansões e fortunas e a construção de moradias, creches, escolas, UBSs e parques através de um plano de obras públicas que esteja sob o controle dos próprios trabalhadores, que são quem carrega essa cidade nas costas. Só assim atacaremos o desemprego, ausência de moradia, ausência de condições para pagar o aluguel e faremos com que os capitalistas paguem pelos custos dessa crise.




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