Política

GOVERNO BOLSONARO

Desilusão com o governo Bolsonaro se concentra nos setores mais atacados

A queda na aprovação positiva do governo Bolsonaro concentra-se em setores que, após a pose, deram um “voto de confiança” para ver uma melhora nas suas condições de vida, mas, frente ao fraco desempenho econômico, o aumento das condições de vida e do desemprego, estes setores estão voltando atrás nessa expectativa.

segunda-feira 29 de abril de 2019| Edição do dia

A pesquisa Ibobe divulgada em março já apontava a queda de 15 pontos percentuais na aprovação positiva do governo Bolsonaro, em todos os segmentos de renda, escolaridade, local de moradia e gênero. Com base nestes dados o Estadão revelou que a queda foi mais brusca entre nordestinos, eleitores com baixa escolaridade e renda e nas capitais.

Para Márcia Cavallari, diretora-executiva do Ibope Inteligência, a queda na aprovação do governo nestes setores está atrelada a um descontentamento rápido frente aos constantes desgastes do governo e a uma expectativa frágil de melhoria de suas condições após a posse, já que no período eleitoral Bolsonaro não havia sido o candidato de escolha.

Certamente o alto índice de desemprego e o aumento das condições de vida evidenciam o fraco desempenho econômico do governo para a massa dos trabalhadores, que sentem na pele e no sangue o descarregar da crise em suas costas. O rechaço à reforma da previdência, como vem sendo possível constatar com o grande apoio popular aos coletes vermelhos dos metroviários de São Paulo, também é algo a se levar em conta quando se verifica a queda na popularidade do governo.

Apesar disso, é preciso colocar que a base de apoio ao governo de Jair Bolsonaro continua elevada e a polarização e politização da população permanece, visto que a crise ainda se estende. Também é necessário colocar que mesmo com o aumento deste rechaço ao governo e com a quantidade de desgastes políticos em tão pouco tempo de governo, ainda se prima a passividade contra os ataques constantes.

Assim, dados como estes mostram que, apesar do progressivo descontentamento das massas, ainda não mudou a correlação de forças. Que a passividade, na verdade, é fruto de uma política traidora das centrais sindicais que não organizam os trabalhadores para a luta. Muito pelo contrário, elas acabam transformando o 1º de maio, um dia histórico de luta, em uma grande festa, de forma a encobertar os ataques alegando que as crises internas por elas mesmas levarão a queda do governo, sendo que, na realidade, essa política serve de freio da classe trabalhadora.

Precisamos ficar atentos as mudanças, obviamente, mas precisamos ir além: precisamos apoiar a luta de categorias como os metroviários que se colocam como linha de frente, e exigir das centrais sindicais que se construam uma mobilização nacional contra a reforma da previdência e contra os ataques aos direitos elementares.




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