Desigualdade social faz com que 25% das vítimas pela Covid-19 no Brasil não seja grupo de risco

Essa diferença apontada, explica-se pela desigualdade gigantesca existente no país e pela precarização do trabalho e dos padrões de vida, que afetam, principalmente a juventude e a classe trabalhadora e que são cada vez maiores desde o golpe institucional e a ascensão da extrema-direita, e é um padrão em todo história escravagista e exploratória do país.

terça-feira 14 de abril| Edição do dia

Os dados disponibilizados pelo ministério da saúde apontam que houve um aumento no número de mortos por Covid-19 que não fazem parte do grupo de risco no Brasil. O levantamento, feito com base nessas informações, mostra que o país segue um padrão diferente de outros, como a Espanha, segundo em número de óbitos, onde a taxa de pessoas mortas, com esse perfil, é de 4,6%.

Essa diferença apontada, explica-se pela desigualdade gigantesca existente no país e pela precarização do trabalho e dos padrões de vida, que afetam, principalmente a juventude e a classe trabalhadora e que são cada vez maiores desde o golpe institucional e a ascensão da extrema-direita, e é um padrão em todo história escravagista e exploratória do país. Para além disso, é necessário pontuar que o número de mortes, de diferentes grupos, podem ser ainda maiores, uma vez que não há a disponibilização de testes massivos para toda a população , o que leva o Brasil a ter um enorme número de subnotificações.

Os valores disponibilizados pelo Ministério da saúde, que abarcam o período do final de março até o começo de abril, mostram que houve um aumento do número de casos de mortos por Covid-19 que não fazem parte do grupo de risco. Sendo assim, percentualmente falando, a taxa de pessoas que tinham menos de 60 anos e de mortos que não apresentavam doenças (comorbidades - como diabetes, cardiopatias e pneumopatias.), aumentou, respectivamente, de 11 e 15% para 25 e 26%. Em outros países como a Espanha, onde há um imperialismo decadente e que é o segundo maior em número de óbitos pela doença, a taxa de indivíduos mortos, que compunham o perfil mencionado, é de 4,6%.

As informações e análises feitas sobre esses dados, mostram as problemáticas do negacionismo Bolsonarista, que defende um isolamento vertical, no qual somente os grupos de risco devem ser resguardados, e que desconsidera os impactos, sobretudo sociais, que serão causados pela doença. Ao mesmo tempo, o levantamento também revela que os padrões de vida da população, destruídos pela crescente e histórica desigualdade social existente no país, traz como consequência a ampliação do grupo de risco.

Assim, tendo em vista o alargamento das políticas de austeridade fiscal e outros ataques à classe trabalhadora, promovidos, sobretudo, desde o golpe institucional e a ascensão de Bolsonaro ao cargo da presidência, houve uma intensificação da desigualdade entre a população e o sucateamento de serviços básicos, como a saúde. O resultado disso, é a ampliação do grupo de risco, que em países como o Brasil, que possuem traços semi-coloniais e uma economia dependente, abarca os setores mais precarizados que não podem fazer isolamento social, mesmo de forma adequado, e que não contam com testes ou leitos suficientes para o tratamento da doença.

A análise sobre esses dados, que aponta como as ideias defendidas por Bolsonaro pensa, exclusivamente no lucro dos empresário, mostra também a profundidade da crise, já que somente as políticas de isolamento são insuficientes frente ao cenário atual, uma vez que parte da população vive em condições tão precárias,
que sequer água potável possui em casa, o que impede os cuidados mais básicos para evitar o contágio da doença. Outro cenário enfrentado também por esse setor é o de ser obrigado a trabalhar em meio à pandemia, com medo do desemprego ou por terem que submeter a trabalhos informais em função da crise econômica que vem desde 2008.

Dessa forma, a luta contra a crise sanitária, passa por questionar não somente o obscurantismo de Bolsonaro, mas também as políticas que têm sido defendidas por setores da direita, como Doria que, além de ter ser autor de diversos ataques à juventude e aos trabalhadores, tem levantando, quase que, exclusivamente, o isolamento social, sem disponibilizar a quantidade necessária de leitos e a disponibilização de testes massivos. Frente a esse cenário, para encarar de forma racional essa pandemia, é necessário que qualquer pessoa que precise ou queira, possa ser testada, a fim de tratá-la e verificar outros possíveis epicentros da doença.

Além da política de testes, que deve ser uma exigência mínima, é preciso que haja a reestruturação do sistema de saúde, de modo que este seja completamente estatizado e esteja sob o comando daqueles que estão de fato lutando contra a crise, que são os trabalhadores e estudantes da saúde. Outra lutas são essenciais também, uma vez que o Covid-19 acelera o desgaste de um sistema que já estava em crise e que não encontra qualquer perspectiva de melhora. Coloca-se um cenário que, para ser superado, passa a questionar o sistema econômico, que, com seus 40 anos de neoliberalismo, criou as condições para uma crise sanitária e que, agora, é incapaz de respondê-la sem ser por uma saída reacionária, que matará milhões de pessoas.

Essas lutas devem atuar contra as demissões em massa que podem acontecer no próximo período, bem como devem exigir uma readequação da produção às necessidades da população, concomitante aos testes e a reestruturação do setor da saúde. Outro ponto é a luta por renda mínima de 2.000 reais, posto de somente 600 são insuficientes para os trabalhadores.




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