Gênero e sexualidade

CAMPANHA IGUAL TRABALHO, IGUAL SALÁRIO

Desigualdade salarial: No capitalismo as mulheres negras ganham 60% menos que um homem branco

No Brasil uma mulher negra chega a ganhar 60% menos que um homem branco. Essa afirmação, chocante, é a ilustração perfeita de um sistema que se alimenta da opressão machista e racista para aumentar seus lucros.

quarta-feira 25 de outubro| Edição do dia

Em 2015, a OECD (Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico) divulgou um ranking com os países com os maiores índices da desigualdade salarial. Junto ao Chile o Brasil ficou em primeiro lugar. Em pesquisas nacionais recentes a desigualdade salarial no Brasil é assustadora e não se restringe ao gênero. Negros ganham menos que brancos. Uma mostra de como a opressão é funcional ao sistema capitalista.

Em recente pesquisa da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) divulgada pelo IBGE a diferença salarial média entre uma mulher negra e um homem branco é de 60% podendo chegar a 80% em alguns cargos. Entre homens e mulheres em geral, a diferença é de 30%. Os dados foram divulgados em fevereiro deste ano. A empresa CATHO, na véspera do dia internacional da mulher, divulgou uma pesquisa que mostra que em todos os cargos a mulher ganha menos que o homem. Mesmo com o mesmo nível de escolaridade ou superior.

Exemplos não faltam na realidade brasileira para comprovar o resultado das pesquisas. Mais recentemente, há menos de um mês, o jornal Folha de São Paulo noticiou que as jogadoras da seleção feminina de futebol ganham muito menos que os homens nas diárias que recebem por jogar para a seleção. Se os jogos são em território nacional, ganham 50% menos, eles R$ 500 e elas R$250. Em jogos internacionais a seleção masculina chega a ganhar R$ 1.600 enquanto a seleção feminina continua com os R$ 250.

Tal realidade nos campos já é chocante, mas é uma ponta minúscula no iceberg da desigualdade. Isso porque nas ditas profissões “femininas” como de limpeza e cuidado, estão concentrados os piores salários e as piores condições de vida. Recentemente, nas redes sociais uma família pretendia contratar uma baba, magra para caber no carro, por míseros mil reais, sem registro em carteira nos primeiros 3 meses.

Nas empresas terceirizadas de asseio e conservação, são cerca de 70% mulheres segundo a Febrac. A imensa maioria é de mulheres negras. Nessas empresas os contratos são extremamente precários. É frequente o risco de demissão e punições, além dos salários baixíssimos, pouco mais de um salário mínimo. Com a aprovação do PL da terceirização, que amplia a terceirização em todas as atividades, a precarização do trabalho deve aumentar ainda mais, aprofundando a desigualdade salarial entre homens e mulheres e negros e brancos.

Mais trabalho, menores salários

As mulheres além de receberem piores salários que os homens ainda estão sujeitas à dupla jornada. Segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE de 2011, as mulheres trabalhadoras, além da jornada de trabalho, cumprem cerca de 21,8 horas a mais de jornada de trabalho somente com o trabalho doméstico em casa. Esse trabalho não remunerado é creditado às mulheres desde muito cedo e não cessa com a aposentadoria. Ou seja, as mulheres que já recebem salários menores que os homens, ainda realizam por toda a vida o trabalho doméstico não remunerado. Trabalham muito mais e ganham muito menos.

Violência e precarização, duas faces da mesma moeda

Em recente pesquisa da Universidade Federal do Ceará em parceria com o Instituto Maria da Penha, realizada em 9 capitais do nordeste, foi abordado o tema da violência doméstica e os impactos no mercado de trabalho. Os dados são assustadores e revelam a intrínseca relação entre a opressão machista e a exploração das mulheres trabalhadora. Em relação aos salários, as mulheres que sofreram violência ganham cerca de 10% menos que as que não sofreram. Em Fortaleza essa diferença salarial chega a assustadores 34%. Essa mulher, que precisa buscar independência financeira do agressor, acaba sendo submetida à baixíssimos salários.

A situação é ainda mais cruel se compararmos as mulheres negras e brancas. A média salarial de uma mulher branca que não sofre violência doméstica é de R$ 11,42 por hora enquanto do outro lado a mulher negra vítima de violência recebe cerca de R$ 7,74 por hora. Mulheres brancas vítimas de violência recebem em média R$ 9,79 por hora. A combinação de machismo + racismo + capitalismo é devastadora. Isso num país onde as mulheres já ganham em média 30% a menos que os homens e, no caso das mulheres negras o abismo salarial em comparação aos homens brancos chega a 60%.

Igual trabalho, Igual salário

Há cem anos da Revolução Russa, onde a classe trabalhadora, com as mulheres na linha de frente, tomou o céu por assalto e avançou na luta pela verdadeira emancipação das mulheres, temos a sensação de estar cem anos antes. Isso porque hoje, metade do gênero humano representa 70% entre os mais pobres e analfabetos

Os dados acima denunciam como o sistema capitalista se apropriou do machismo criando uma forte relação entre opressão e exploração. Assim, os baixos salários pago às mulheres ajudam os patrões a pagar menos aos seus trabalhadores e aumentarem seus lucros, nos dividindo por gênero e raça. A luta contra a desigualdade salarial, o machismo e o racismo deve estar de braços dados na luta contra o capitalismo.

Devemos levantar com força a bandeira da igualdade salarial. Governos e patrões atacam nossos direitos e querem nos fazer trabalhar até morrer nos postos de trabalhos mais precários. Temos que nos organizar com força para enfrentar todos os ataques do governo golpista de Temer e dos capitalistas.

Participe desta campanha e conheça o grupo de mulheres Pão e Rosas! Igual trabalho, igual salário já!




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