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CALAMIDADE EM MANAUS

Desesperados, familiares fazem fila para comprar oxigênio em Manaus

Familiares de pacientes pegam cilindros de oxigênio emprestados nos hospitais e ficam em fila para comprar o insumo essencial de uma empresa em Manaus. A PM exigiu o fim da fila para cumprir com o toque de recolher.

sábado 16 de janeiro| Edição do dia

Foto: Bruno Kelly / REUTERS

Um fila de pessoas se formou hoje em Manaus para conseguir comprar oxigênio, frente à grave crise de desabastecimento que é fruto da irracionalidade capitalista. A venda está sendo feita pela empresa Nitron Amazônia.

Algumas pessoas chegam com os cilindros, cedidos pelas unidades de saúde aos parentes de pacientes entubados, para comprar apenas o conteúdo. Outras buscam comprar o próprio cilindro de 10 metros cúbicos, que custa R$4.000.

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A fila andou, mas também foi anunciado que o oxigênio havia acabado, tornando o tempo de espera maior para os que aguardam na fila sem saber se seus parentes ainda resistem vivos no hospital.

Mesmo dispostas a virar a noite no local, a Polícia Militar ameaçou de prisão os que estivessem nas ruas, devido ao toque de recolher decretado pelo governo do Amazonas.

O presidente Jair Bolsonaro, que havia dificultado a importação de cilindros de oxigênio dois dias antes do colapso em Manaus, alegou que fez sua parte.

Enquanto isso, profissionais de saúde fazem mais do que sua parte, se revezando para ventilar manualmente os pacientes e inclusive sedando pacientes que não têm chances de sobreviver, para morrerem sem dor.

É urgente o confisco de todo o oxigênio disponível no mercado, disponibilizando-o para os hospitais de Manaus, e a reconversão da indústria para a produção de cilindros de oxigênio e respiradores. A Ford, que anunciou o fechamento de três fábricas no Brasil, deveria ser controlada pelos trabalhadores para prestar esse serviço essencial neste momento.

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