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DESEMPREGO

Desemprego entre jovens no ABC chega a 26,6%, mulheres e negros são os mais atingidos

A rotina humilhante de a cada dia sair de casa na esperança de conseguir um trabalho e ouvir a frase “entraremos em contato” torna-se mais dura para os jovens da Região do Grande ABC.

Thiagão Barros

morador de Mauá, no ABC paulista

sexta-feira 24 de junho de 2016| Edição do dia

A fila de desempregados cresce a cada dia, e o número de jovens é muito superior ao de adultos: é o que mostra a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) divulgada esta semana. O estudo foi realizado pela Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados), em parceria com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), e mostra que a taxa de desemprego entre jovens de 16 a 24 anos chegou a 26,6%. O estudo também mostra que o desemprego entre jovens de 19 a 21 anos é de 26,4%, e de 22 a 24 anos é de 19%.

A taxa de desemprego, considerando todas as faixas etárias, é de 12,5%, ou seja, o número de jovens sem trabalho ultrapassa o dobro da população em geral, o que revela que os jovens são os mais atingidos pela crise econômica. Ao analisar os dados de 2013 a 2015, podemos ver que a taxa de desemprego de indivíduos abaixo de 24 anos aumentou 6,2 p.p (pontos percentuais). Já no conjunto da população do ABC, o crescimento foi de 2,4 p.p no mesmo período.

Entre os jovens, o machismo e o racismo dificultam a conquista de um trabalho: é o que mostram os dados de 2015, onde o desemprego entre as mulheres com 16 a 24 anos era de 29,5%, enquanto para homens era de 24,1%. Já para os jovens negros da região, de mesma faixa etária, o desemprego era de 28,5% e de 25,7% para os demais. Os dados mostram o quanto é racista e machista o mercado de trabalho, uma vez que o mesmo vale para a proporção salarial, onde negros e mulheres ganham menos.

Este cenário está ligado diretamente à crise do sistema capitalista internacional. No Brasil, o governo golpista de Michel Temer aplica diversos ajustes para ajudar a burguesia; os sindicatos com sua burocracia adotam saídas como PPE (Plano de Proteção ao Emprego), Layoff e férias coletivas e não conseguem combater os ataques da patronal, enquanto o número de demitidos aumenta exponencialmente, aumentando o número do exército de reserva, dividindo ainda mais as fileiras operárias, onde o jovem tem que competir no mercado de trabalho com trabalhadores experientes que foram demitidos e tentam se recolocar em uma posição mais precária por causa da crise econômica.

Para enfrentar este difícil cenário, a juventude trabalhadora tem que se inspirar nos seus irmãos de classe franceses, que tem feito fortes greves contra a reforma trabalhista, e se apoiarem na juventude que luta por educação em todo o Brasil. Transformar as lutas em curso, como a da Karmann-Ghia, em exemplos para a classe trabalhadora, rompendo com a burocracia sindical que freia a luta dos trabalhadores.




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