Desempregados na Região Metropolitana de Campinas equivalem à população de Hortolândia

Com dados do CAGED, a RMC (Região Metropolitana de Campinas) tem 12,34% apenas um pouco abaixo da média nacional que tem 12,7% de desempregados em comparação com o primeiro trimestre do ano passado. Isso correspondente a 220.253 pessoas sem emprego, o que equivale à população de Hortolândia. A reforma trabalhista e política econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes, junto com a reforma da previdência, veio para acabar com a vida dos trabalhadores.

domingo 19 de maio| Edição do dia

O número de desempregados em Campinas em março cresceu 1,7% em relação a fevereiro, fechando o primeiro trimestre do ano com 85 mil trabalhadores sem um emprego. Isso equivale a 11,45% da população economicamente ativa ( população que está inserida no mercado de trabalho ou que está procurando se inserir nele). O desemprego na Região Metropolitana de Campinas (RMC) chega a 12,34% e corresponde a 220.253 de pessoas, o que equivale à população de Hortolândia ou às cidades de Artur Nogueira, Holambra, Jaguariúna, Morungaba e Vinhedo juntas.

Os níveis ainda estão longe de alcançar os patamares pré crise. No final de 2018 quando agências e bancos tendenciosos apontavam crescimento do PIB de 2,5%, se levaria pelo menos uma década para se retomar os níveis de emprego de antes da crise. Uma geração sem trabalho. Ontem (16) saiu pesquisa do Banco Francês BNP Paribas que apontam para crescimento de 0,8%, após primeiro trimestre desastroso fruto da política econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes.

Segundo ACIC (Associação Comercial e Industrial de Campinas) a região conta com 970.754 trabalhos na informalidade. Só em Campinas os informais correspondem a 40% da população economicamente ativa. É na informalidade que se encontra os postos de trabalho mais precários e com piores salário, situação que se agravou com a aprovação da reforma trabalhista por Temer em 2017, aumentando as demissões e recontratação de uma pequena parcela com piores condições de trabalho.

Dados desanimadores em 2018 e pior cenário em 2019

Desde um dos piores anos de crise (2015) vemos que ouve uma pequena recuperação na diminuição das demissões, bem como da contratação de novos trabalhadores. Com dados do Relatório do Observatório do Trabalho do CPAT/SINE, o saldo de emprego em campinas (as admissões menos demissões) em 2015 foi de -16.281 e em 2018 o saldo foi positivo em 5.069. Em 2016 o saldo foi de -14.837 e de 2017 de -2.379.

Longe de cumprir sua promessa de retomada do desemprego e do crescimento, a reforma trabalhista impulsionou a demissão de trabalhadores pelos empresários pois os mesmos querem recontratar em condições piores diante da crise, para manter elevada suas taxas de lucro.

A maior parte das contratações entre maio a outubro de 2018 são com escolaridade de ensino médio completo com salário médio de R$ 1400 reais. 47,46% é de adultos de 25 a 39 anos; 29,14% de jovens de 18 a 24 anos e 14,59% de pessoas entre 40 e 49 anos. Quase 80% das contratações se dá até 39 anos, aumentando a informalidade em setores mais velhos da população e que se agravará com a reforma da previdência proposta por Bolsonaro e Paulo Guedes.

Apesar da lenta recuperação do ano passado, os níveis de desemprego vem aumentando e cenário pode pior com a expectativa de uma nova recessão mundial e aumento dos conflitos entre EUA e China.Em dados divulgados pelo IBGE nessa quinta (16), o desemprego entre jovens atingiu uma taxa de 27,3% no primeiro trimestre deste ano, números alarmantes para uma juventude que vê as universidades também sendo atacadas e que escancara a falácia das promessas do governo de Jair Bolsonaro que disse que criaria novos postos de trabalho.

O primeiro trimestre do ano fechou com uma alta de 2,1% de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos em relação ao trimestre anterior, além disso, houve também uma alta no desemprego em geral, que atingiu a margem de 12,7%, 14 estados também fecharam o período com altas.

A reforma da previdência de Bolsonaro, articulada a nível municipal pela Frente Nacional de Prefeitos, em que o prefeito de Campinas Jonas Donizzette (PSB) é presidente vai piorar os dados já alarmantes registrados. Além disso piora na RMC os serviços públicos com destaque para a precarização da saúde e a cada vez pior mobilidade urbana, em que se precariza o transporte público que registra uma queda grande do número de usuários por seu valor e péssimo serviço, e aumenta o uso do transporte privado.

O dia 15M mostrou a força que pode ter a juventude contra os cortes na educação. Essa grande energia que se demonstrou nas ruas precisa ir além e fazer com que os estudantes possam ser vanguarda da luta contra a reforma da previdência em aliança com os trabalhadores.

A crise econômica mundial está longe de se resolver e o cenário é de piora dos dados já apresentados. Para que a vida da população não piore pela busca de lucro dos capitalistas é necessário o fim do pagamento da dívida pública, que saqueia o orçamento do nosso país. Esse dinheiro poderia ser usado para a criação de um plano de obras públicas, como saneamento e melhor infraestrutura, para gerar empregos, resolvendo a situação de miséria de milhares de trabalhadores. Juntamente com isso, é necessário a estatização do sistema financeiro juntamente com o monopólio bancário para que não haja maiores fugas de capitais no país, motivados pela ganância dos grandes capitalistas. Se a crise econômica foi criada pelos capitalistas, que eles arquem com o prejuízo.




Tópicos relacionados

Governo Bolsonaro   /    Crise capitalista   /    Reforma da Previdência   /    Reforma Trabalhista   /    Desemprego   /    Campinas

Comentários

Comentar