Gênero e sexualidade

LEGALIZAÇÃO ABORTO ARGENTINA

Desde a madrugada milhares de argentinas fazem vigília pelo direito ao aborto

Desde a madrugada deste dia 8 milhares de mulheres vão se somando ao entorno do Congresso argentino em defesa da legalização do aborto que será votada no Senado.

quarta-feira 8 de agosto| Edição do dia

Após grande pressão das cúpulas das Igrejas essa reivindicação de que o aborto “seja lei” corre perigo e está posto o chamado de redobrar a mobilização para conseguirem impor essa demanda fundamental.

Após as grandes mobilizações que ficaram conhecidas no mundo todo como a maré verde que tomou a capital e diversas províncias da Argentina em defesa da legalização do aborto, as mulheres deste país conseguiram conquistar a meia sanção, através da votação em junho na Câmara dos Deputados, restando a decisão final através da outra meia sanção que será votada hoje no Senado.

As últimas semanas na Argentina foram marcadas por uma intensa campanha das altas cúpulas das Igrejas católica e evangélica e de setores conservadores da política nacional para que o aborto siga sendo realizado na clandestinidade e milhares de mulheres continuem morrendo em decorrência destes procedimentos inseguros.

Há poucas horas do início da votação o cenário apontado é de uma maioria de senadores contra a legalização do aborto, com 37 votos, sendo que são 31 votos favoráveis, 2 votos de abstenção, 1 voto ainda indeciso e uma possível ausência. Entre estes, o bloco do ex-governo argentino, sob direção de Cristina Kirchner, declarou na última semana que votaria a favor, no entanto uma de suas senadoras, Silvina García, declarou no domingo que votaria contra.

As intenções dos senadores se encaminha para dar as costas ao movimento multitudinário de mulheres, relegando inclusive as milhares de mortes na clandestinidade, para atender às especulações políticas do poder tradicional baseado na exploração e opressão dos capitalistas.

Essa postura vai na contramão do intenso movimento gestado nos diversos locais de trabalho e estudo, que tem jovens adolescentes debatendo em suas escolas e casas, tomando as ruas junto às trabalhadoras que se enfrentaram até mesmo com suas direções sindicais, como aconteceu com a exigência à CGT que convocasse uma paralisação para ampliar as forças e garantir que o dia de hoje houvesse mais uma grande expressão da maré verde em defesa do direito ao aborto.

Como parte do movimento está o grupo internacional de mulheres Pão e Rosas que deu seu depoimento sobre a votação de hoje: “Se as organizações não colocarem o máximo esforço em mobilizar milhões neste 8 de agosto, que suas direções não falem que defendem nossos direitos, que são favoráveis ao aborto legal, que não querem nem uma mulher morta a mais por abortos clandestinos”, reforçando a necessidade de que a força da mobilização imponha este direito que não virá de bom grado das mãos do Congresso.

Também desde o PTS na Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT, pela sigla argentina) os parlamentares Myriam Bregman, Nathalia Seligra e Nicolás Del Caño estão participando e participando da jornada, bem como vieram apoiando e defendendo o movimento dentro e fora do Congresso. Os deputados da FIT desde sua conformação defendem o aborto legal, bem como assinaram a campanha nacional e se mantiveram firmes e sem divisões nesta defesa, ao contrário dos demais blocos parlamentares. Hoje seguirão com as mulheres defendendo a aprovação desse direito junto à milhares de mulheres jovens e trabalhadoras, contra as manobras dos parlamentares da ordem.




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