Mundo Operário

Descaso dos políticos faz do Brasil recordista mundial em mortes de enfermeiros por Covid-19

O Brasil concentra 38% dos óbitos trabalhadores da área da saúde de todo o mundo. O número de trabalhadores da enfermagem mortos chega a 98.

terça-feira 12 de maio| Edição do dia

No total, morreram mais trabalhadores da enfermagem por Covid-19 no Brasil que nos Estados Unidos, o país mais atingido pela pandemia do novo coronavírus. Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), até quarta-feira (7), 98 trabalhadores tinham seus óbitos confirmados no país, enquanto os Estados Unidos registraram 91 mortes.

Em todo o mundo, mais de 260 trabalhadores da enfermagem morreram em decorrência da doença. E outros 90 mil trabalhadores da categoria foram infectados pelo vírus, segundo o Conselho Internacional de Enfermeiros, o Internacional Council of Nurses (ICN). O Brasil já é responsável por 38% das mortes desse total.

Neste 12 de maio, dia internacional dos e das enfermeiras, esses trabalhadores não querem ser martirizados como heróis por perderem suas vidas, diante do descaso dos políticos. Seja de Bolsonaro, que tem suas mãos sujas de sangue devido ao seu negacionismo abjeto capaz de dizer “e daí” para as vítimas da Covid-19. Mas, também por políticos como Dória, Witzel, e tantos outros governadores que não fornecem testes, máscaras e nenhum equipamento necessário para que esses trabalhadores possam seguir na linha de frente do combate ao coronavírus sem arriscar suas vidas.

Em nosso país, 84,6% dos enfermeiros são mulheres e 53% são negros. A maioria dos técnicos ganham menos de R$2 mil. Por isso, é mais que necessário potencializar a resistência dos trabalhadores da saúde. Como foi hoje a homenagem realizada pelos trabalhadores do Hospital Universitário da USP, ou homenagem em Cuiabá, ou em Belém a todas os trabalhadores da saúde falecidos em decorrência do coronavírus.

Conforme colocou Diana Assunção, editora deste portal:

“Num momento como esse onde a pandemia se alastra e Bolsonaro mantém sua política negacionista, as figuras do regime que fazem demagogia em defesa da vida também são responsáveis por tudo isso, e ao mesmo tempo o "ficar em casa" deles é também pra evitar qualquer tipo de resposta organizada dos trabalhadores e da juventude. Se rechaçamos a extrema-direita reacionária que faz ações de rua porque simplesmente não acreditam que exista o Coronavírus, não podemos sucumbir a paralisia que querem Dória, Maia, Toffoli, Moro e todos estes que tentam aparecer como "oposição sensata" a Bolsonaro. Maia, Toffoli, Moro, os militares etc. são responsáveis junto a Bolsonaro por todas as mais de 8000 mortes de brasileiros pelo coronavírus. Nós estamos do lado das enfermeiras que foram agredidas pelos bolsonaristas, ao lado dos trabalhadores da saúde que estão se manifestando em todo o país. E assim o fazemos porque são os setores da classe trabalhadora mais conscientes das necessidades de segurança sanitária e estão, em todo o país, organizando manifestações sem aglomeração, com máscaras, com distanciamento e todo tipo de medidas para manter a segurança sanitária. A batalha dessa linha de frente da classe trabalhadora contra a pandemia, que inclui uma luta intransigente pela proibição das demissões e contra a retirada de qualquer direito dos trabalhadores, não está por fora de uma crise econômica internacional e uma crise política no nosso país.”




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