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Descaso do governo mata 10 pessoas em enchentes no nordeste

Buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros localizaram corpos de pessoas que estavam desaparecidas em Maceió. Em Pernambuco, as chuvas se intensificaram nesta terça. Catástrofes naturais ou tragédias tipicamente capitalistas?

quarta-feira 31 de maio| Edição do dia

Subiu para sete o número de mortos vítimas das chuvas que caem em Alagoas desde o último sábado, 27. Na tarde desta terça-feira, equipes do Corpo de Bombeiros encontraram, na periferia de Maceió, os corpos duas mulheres e um bebê de seis meses de idade. Ambas estavam desaparecidas desde sábado, quando ocorreu um deslizamento de barreira no local em que residiam. Em Pernambuco, os óbitos chegaram a três casos.

Na segunda-feira, 29, equipes do Corpo de Bombeiros alagoano já haviam encontrado, no mesmo local, os corpos de um homem e mais um ainda está desaparecido. De acordo com o mais recente boletim do Corpo de Bombeiros de Alagoas, divulgado às 17 horas desta terça-feira, as chuvas deixaram 8.444 famílias desabrigadas e outras 16.508 desalojadas, num total de mais de 25 mil espalhadas pelos 26 municípios afetados pelas águas

Além disso, segundo o Corpo de Bombeiros de Alagoas, outras 750 famílias foram relocadas em Marechal Deodoro, um dos municípios mais afetados pelas chuvas.
Na manhã desta terça, uma equipe de mergulhadores retomou as buscas pelo adolescente de 13 anos que estava nadando com os amigos no rio Mundaú e desapareceu, no município de Satuba, localizado na Grande Maceió.

Catástrofes naturais ou tragédias tipicamente capitalistas?

Apesar de previsão de chuvas moderadas para os próximos dias, o governo de Alagoas recomendou nesta terça-feira, 30, que a população permanecesse em alerta nas áreas consideradas críticas no Estado. Também nesta terça o governador de Alagoas, Renan Calheiros Filho (PMDB), publicou decreto no Diário Oficial do Estado reconhecendo a situação de emergência de 26 municípios afetados pelas chuvas.
Embora o volume de chuvas tenha reduzido nesta quarta, o nível da água ainda é grande em muitos municípios afetados. Por causa disso, a Secretaria Estadual de Saúde alerta a população dessas regiões para o risco de doenças de veiculação hídrica, como a diarreia. “Para as pessoas atingidas pelas enchentes, o ideal é ferver a água antes de consumir, seja para beber ou cozinhar”, ressalta a técnica do Programa de Combate às Doenças de Veiculação Hídrica da secretaria, Jean Lúcia dos Santos.

Já em Pernambuco a situação se agravou nas últimas 24 horas em função das fortes chuvas que atingem as regiões do Agreste e Mata Sul do Estado. Um novo decreto assinado pelo governador Paulo Câmara (PSB) atualizou o número e a situação das cidades mais atingidas pelas precipitações. De 15, passaram para 24 os municípios listados. O status agora passou de calamidade pública para estado de emergência nestas localidades. Ao todo, mais de 55 mil pessoas tiveram que deixar as casas. De acordo com a portaria, o governo federal reconheceu a situação de emergência nos seguintes municípios: Amaraji, Água Preta, Barra de Guabiraba, Barreiros, Belém de Maria, Caruaru, Catende, Cortês, Gameleira, Ipojuca, Jaqueira, Joaquim Nabuco, Jurema, Lagoa dos Gatos, Maraial, Palmares, Primavera, Quipapá, Ribeirão, Rio Formoso, São Benedito do Sul, Sirinhaém, Tamandaré, Xexéu.

No final da manhã o número de mortos também foi atualizado passando de dois para três, depois que o corpo de um homem foi encontrado na cidade de Caruaru, no Agreste. Uma mulher, continua desaparecida também em Caruaru. O total de pessoas desabrigadas e desalojadas já chega a 55 mil e continua chovendo na região.

Sempre que chove a desculpa dos governos para se livrarem de responsabilidade é a mesma: "um desastre natural". Não tem nada de "natural" quando todos os anos milhares de pessoas no país inteiro perdem suas vidas e casas em inundações como esta, que em nada são novidade para os governos que hoje lucram com a miséria em que vive a população. É necessário tomar consciência de que essas tragédias poderiam ser evitadas se houvesse real interesse dos governos em solucionar tais problemas, mas estes estão apenas interessados em garantir seus privilégios próprios com dinheiro público transformados em corrupção. A necessidade de um verdadeiro plano de obras públicas é urgente hoje para Pernambuco e Alagoas, para impedir que a população continue sofrendo com as chuvas. Desastres naturais como esses só poderão ser evitados quando os trabalhadores e o povo pobre puder ele mesmo decidir quais são as prioridades do Estado, exigindo, por exemplo, o não pagamento da dívida pública e utilizando este dinheiro para obras públicas para a população.

Foto: Secretaria de Comunicação de Alagoas/EFE




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