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RIO DE JANEIRO

Descaso: Crivella programa reabertura no RJ enquanto mortes seguem crescendo

sexta-feira 29 de maio| Edição do dia

A cidade do Rio de Janeiro acumula milhares de óbitos e bate recorde em números de mortos. O número não se sabe ao certo, por que além de não haverem testes, a prefeitura mudou a metodologia de contagem. Há uma variação de menos 1,000 na quantidade de óbitos, com números oficiais absolutos entre 1,801 e 2,978. Mas os números reais podem ser muito maiores. Mesmo nesse cenário, Crivella apresentou seu plano de reabertura, para preservar os lucros e não as vidas.

Com uma gestão verdadeiramente escandalosa da pandemia, Crivella seguiu à risca o “protocolo”, tanto do negacionismo de Bolsonaro, quanto da “linha mais racional” dos governadores, que têm em comum a falta de testes, de EPIs, de leitos, de contratações, em resumo, uma pilha de corpos no país todo que chegam próximo de 27 mil. Mas o Crivella não podia passar dessa pandemia sem cumprir um papel particular. Além da atuação “básica” desses governantes, Crivella deixou servidores sem salários. deixando milhares de famílias sem ou com renda reduzida durante a pandemia, não paga adicionais prometidos aos funcionários da saúde que são a linha de frente em enfrentar a pandemia, em meio ao período de pico de transmissão do vírus e do número de mortos, Crivella garantiu abertura das igrejas e fez acordos com empresários para reabertura do comércio e serviço entre inúmeros outros escândalos.

O plano de Crivella, apresentado por seu comitê científico (mesmo comitê que deu suporte a abertura das igrejas) prevê seis fases, que gradualmente irão operando abertura da economia, considerando os fatores risco de propagação e importância econômica na liberação das atividades econômicas. As atividades menos importantes para economia e com maior risco de propagação ficarão por último. Entretanto, Crivella não apresentou quais setores da economia serão abertos em cada fase. Haverá uma próxima reunião no sábado, amanhã. O plano prevê que sejam mantidas as medidas de afastamento e utilização de máscaras e também o escalonamento de horários para os trabalhadores para evitar aglomerações nos transportes públicos e horários de pico, seguindo, em algum sentido, o movimento dos países que já realizaram a abertura.

O Rio de Janeiro é uma das cidades com maior número de negros do país, em número absoluto e em percentual. A crise sanitária do Covid-19 mata comprovadamente mais negros, seja pelas mãos racistas da polícia de Witzel que querem assegurar a “ordem” da pandemia ou pela maior propensão de serem infectados pela doença por conta das más condições de vida, moradia etc. Da população negra, e não por fatores genéticos, como propaga a ideologia racista no capitalismo. Segundo informações do Ministério da Saúde as negras e negros são quase 1 em cada 4 (23,1%) das pessoas hospitalizadas com a COVID-19, a população negra chega a ser 1 a cada 3 vítimas fatais pelo novo corona vírus. A agência publicou que a quantidade de óbitos de pessoas negras quintuplicou no Brasil. Sobretudo isso afeta principalmente as mulheres negras que compõem grande parte da população negra na cidade e no país todo. Enquanto isso, o Brasil já é o segundo país com mais caso de Coronavírus: 438,812 casos e 26,991 mortes e os governos querem voltar a normalidade no meio desse caos.

A promoção de testes, leitos e equipamentos, deve se dar por meio da reconversão da indústria e da estatização de todos os leitos sob o controle dos trabalhadores. Tudo isso, para deve ser conduzido em articulação com a exigência de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para que a população possa decidir, sem confiança em setores da direita, como STF, Maia ou mesmo nos próprios governadores que, ainda que se opunham ao negacionismo de Bolsonaro, também têm adotado uma política em nome do lucro e não das vidas dos trabalhadores e da população negra e pobre do país.




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