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CHILE - MOVIMENTO ESTUDANTIL

Desafios do movimento estudantil chileno

Após seis anos quase ininterruptos de luta pela educação gratuita, pública e universal, emergem alternativas em um novo momento para o movimento estudantil.

segunda-feira 10 de outubro| Edição do dia

Nos já seis anos quase ininterruptos de luta estudantil, a direita e a Nova Maioria no governo não responderam nossas demandas. Sua resposta não foi mais que repressão e tentativas de cooptação, oferecendo medidas para dividir os estudantes, como a bolsa de gratuidade que não é mais que uma bolsa à qual se deve postular “comprovando a pobreza” do postulante.

Durante todo este longo processo houve também uma importante mudança nas direções do movimento estudantil. Se em 2011 dirigia o Partido Comunista, hoje, por sua integração à Nova Maioria, retrocedeu consideravelmente. Em seu lugar avançaram novos grupos como a Esquerda Autônoma, a Frente de Estudantes Libertários (FEL) ou a UNE, que conformaram todo um bloco “antineoliberal” que manteve uma estratégia similar, que marca uma linha de continuidade desde 2011 até agora: usar o movimento estudantil como mecanismo de pressão para "incidir" e modificar em particularidades a educação, primeiro, e agora a reforma educativa.

Vimos como um setor do movimento estudantil saiu ativamente a sustentar as lutas e a questionar tudo, centrando-se em manter vivas as ocupações e paralisações, fazendo uma experiência com os dirigentes estudantis, os quais questionam radicalmente. Setor que foi duramente golpeado pela repressão e pela criminalização.

Por outro lado, existe um grande setor que apoia em geral as demandas estudantis, participando nas marchas nacionais mas não com uma "ação política cotidiana ativa" para sustentar a luta.

O regime buscou gerar certo nível de cooptação integrando o PC à Nova Maioria, a Revolução Democrática a cargos no MINEDUC (Ministério de Educação do Chile) e agora com a bolsa de gratuidade, que certamente deixa muitos setores com a dúvida de sair a lutar decididamente ou não pela possibilidade de perder o pouco que se conseguiu.

Enquanto isso, os dirigentes estudantis atuais buscaram aumentar a brecha política entre tais setores, para que não se potencializasse uma luta que não poderiam controlar. Seguiram confiando na via parlamentar, nos diálogos com as autoridades, depositando expectativas em reuniões estéreis com quem faz tempo anunciaram sua oposição à demanda central do movimento estudantil.

Nesta situação complexa, podemos ver uma “esquerdização” no movimento estudantil, que se traduz em um sentimento generalizado de desconfiança no governo mas também nas vitórias da esquerda que busca o "poder popular" a nível eleitoral em algumas universidades, no retrocesso do PC e no avanço e crescimento de alternativas pró-operárias e anticapitalistas.

Vemos que há três estratégias em disputa. Uma que vai à frente, já que tem deputados e dirige as principais federações, que não questiona o capitalismo de conjunto e depositou historicamente sua confiança em parlamentares ou em autoridades. Outra que aposta no poder popular, mas não coloca um projeto político a nível nacional e tende a fechar-se em seus próprios debates particulares, sem colocar uma alternativa de direção efetiva e audaz.

Nós, desde a Agrupação Combativa e Revolucionária (ACR) buscamos apresentar uma terceira alternativa pró-operária e anticapitalista, que não confie nos corruptos e nas autoridades, que potencialize o fortalecimento do movimento estudantil, e que permita que setores do estudantado questionem mais profundamente a herança da Ditadura. Buscamos disputar subjetividades, formas de pensar, mas também avançar em conquistar demandas sentidas para os estudantes, como a reforma universitária desde as mesmas universidades, tomando o exemplo histórico do Maio de 68 na França.

Apostamos no crescimento e consolidação de uma juventude que se ligue ao movimento operário e a suas lutas, que questione os consensos estabelecidos e que lute por uma alternativa anticapitalista, sem confiar nas instituições deste regime, nem em seus políticos corruptos.




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