Internacional

IMIGRAÇÃO EUA X MÉXICO

"Derrubam" o muro da fronteira com uma gangorra

Por algumas horas, habitantes de ambos os lados da fronteira México-EUA conviveram através da barreira que divide os dois países. Uma demonstração de rebeldia daqueles contra os projetos dos poderosos capitalistas da América do Norte.

quinta-feira 1º de agosto| Edição do dia

Em uma demonstração de criatividade e iniciativa internacionalista, dois arquitetos e designers norte-americanos, Ronald Rael e Virginia San Fratello, construíram gangorras e as colocaram no meio da cerca construída pelos Estados Unidos há catorze anos.

Através desta barreira que separa a Ciudad Juarez e Sunland Park, um subúrbio adjacente a El Paso, Texas, vários habitantes vêm de ambos os lados da fronteira nos finais de semana para se verem pessoalmente. Os autores desse novo “crime”, recém-cometido, estão cientes dessa maneira de “visitar” os parentes diante das autoridades fronteiriças e de seus principais líderes, como é o caso do presidente Trump, que quer acabar definitivamente com a passagem de migrantes e ditou medidas repressivas para se livrar daqueles que já conseguiram atravessar [para os EUA].

Por isso eles, decidiram dar um toque de diversão para aqueles que vêm a este lugar. Assim, crianças e adultos apreciaram e desfrutaram desta pequena, mas fortificante, iniciativa. E medidas assim deveriam ser realizadas todos os dias em todos os lugares onde os capitalistas decidem acabar com a imigração como uma maneira de adiar suas crises mais profundas. Dadas as previsões de queda na produção e consequente desemprego, é melhor fechar as fronteiras, ditar-lhes seu modo estreito e falso de pensar.

Com essa intervenção, “o muro literalmente se tornou um ponto de apoio para as relações entre os Estados Unidos e o México. Crianças e adultos se conectaram significativamente em ambos os lados, representando como as ações que acontecem de um lado têm consequências diretas no outro”, Rael escreveu em sua conta do Instagram ao compartilhar vídeos e fotos de pessoas de todas as idades que se balançando...

Assim, a criatividade desses ativistas, como eles certamente afirmam, é posta a serviço de fomentar o desmantelamento conceitual e físico do muro “que atravessa um ’terceiro país’: Estados Divididos da América”. É por isso que não nos estranha que se repitam as gangorras e outras iniciativas, como colocar uma mesa para compartilhar comida e até mesmo construir uma casa dividida pelo muro por dentro “para enfatizar o fato de que a divisão está aproximando da vida das pessoas".

A verdade é que essa maneira de ver o problema de forma muito positiva também serve como canal para o desenvolvimento da mentalidade das famílias separadas pelo Río Bravo (Rio Grande) e pelas barreiras artificiais promovidas pelos governos dos EUA: o muro nós derrubamos todos os dias expressando nossa solidariedade e simpatia entre os trabalhadores de ambos os lados. O que nos dá força moral para impedir que suas paredes, feitas de selos de concreto ou militares, cumpram sua missão. A classe trabalhadora é uma e sem fronteiras.

Tradução: Instalação do arquiteto Ronald Rael na fronteira entre EUA e México. Uma gangorra para que as crianças brinquem dos dois lados do muro. Uma imagem que só pode mostrar a barbárie à qual nos leva o capitalismo. A realidade supera qualquer ficção distópica.




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