GOVERNO BOLSONARO

Derrota de Dallagnol e da Lava Jato: Senado rejeita seus indicados no Conselho do MPF

Na batalha para indicar nomes para o Conselho Nacional do Ministério Público que garantam a impunidade de Procuradores ou sua punição conforme a utilidade para blindar políticos da casta política, Dallagnol e Moro sofreram derrota do Senado. Uma derrota que articulou o bolsonarismo e a casta política. Um novo episódio nos realinhamentos dos diferentes autoritarismos e forças golpistas.

quinta-feira 19 de setembro| Edição do dia

O Senado rejeitou nesta quarta-feira, 18, a recondução de dois nomes para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O CNMP é órgão máximo do MP, responsável por blindar ou punir os procuradores conforme suas ações sirvam aos interesses do golpismo no país. Diversas ações contra Dallagnol e outros procuradores da Lava Jato correm nesse órgão, até o momento com garantia de total impunidade por seus procedimentos autoritários e golpistas.

Com as revelações da Vaza Jato, confirmando o que tantas vezes nós do Esquerda Diário, e vários outros argumentamos a Lava Jato está muito mais enfraquecida perante outros “poderes de fato”. A operação centrada em Curitiba e seus maiores exponentes, Dallangol e Moro estão com menor força que antes, sofrem investidas particularmente de antigos parceiros do golpismo no judiciário tais como Gilmar Mendes e outras alas não-Lava Jato do STF, frente a Bolsonaro e suas diárias humilhações de Moro, bem como um enfraquecimento perante todos atores golpistas do parlamento conhecidos como “centrão”.

A derrota de Dallagnol e Moro foi articulada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e por parlamentares críticos a condutas da Operação Lava Jato, entre eles Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM). Um terceiro nome para o conselho foi retirado da pauta após obstrução do grupo conhecido como "lavajatista".

A atuação de Alcolumbre, eleito com votos do Bolsonarismo e dos setores pró-Lava Jato do Senado, deixa patente uma nova configuração entre os autoritarismos. Se, por um lado, ele em acordo com Bolsonaro, Toffoli e até mesmo Olavo de Carvalho derrotaram a Lava Toga (blindando o STF), uniram-se todos os mesmos atores contra a Lava Jato nessa nova votação. Entre o que podemos identificar como um redesenho nas alianças entre os autoritarismos. Se em boa parte do ano vimos bolsonarismo e Lava Jato unidos em um só “bonapartismo imperial” vemos agora um bonapartismo bolsonarista, e o “institucional” ligado a alas do STF e do Centrão em conflito com a Lava Jato enfraquecida. Todos os três atuaram em uníssono pelo golpe institucional, pela prisão arbitrária de Lula, pela Reforma da Previdência, mas se dividem sobre os lugares de poder de cada um no desenho do novo regime a colocar no lugar do defunto regime de 1988.

Nas mãos de juízes com privilégios, ligados por mil e um laços aos capitalistas e políticos não há nenhum combate à corrupção. Há usos políticos conforme tal ações e aparências sirvam para substituir determinados esquemas de corrupção por outros mais funcionais ao imperialismo. O mesmo vale para o CNMP. Contra as arbitrariedades e autoritarismos do MPF, do STF, do Congresso, de Bolsonaro os trabalhadores precisam desenvolver uma política independente: combatendo os autoritarismos, ligando as lutas democráticas ao combate a todo golpismo e seus ataques, lutando para que todo caso de corrupção seja julgado por júri popular, que todo juiz seja eleito e revogável e ganhe o mesmo que uma professora, lute pela expropriação sem indenização de todas empresas corruptas e colocando-as sob controle dos trabalhadores.

Com informações da Agência Estado




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